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Petróleo faz lucro da Petrobrás cair 20% no semestre

Resultado de R$ 13,55 bi superou expectativas do mercado e foi melhor que o dos concorrentes internacionais

Nicola Pamplona, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2009 | 10h16

A Petrobrás anunciou ontem um lucro líquido de R$ 7,734 bilhões no segundo trimestre de 2009, valor 20% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. No semestre, o lucro ficou em R$ 13,550 bilhões, também com queda de 20% na mesma base de comparação. Apesar da redução, o desempenho superou as expectativas do mercado financeiro e foi melhor do que o apresentado por suas concorrentes internacionais.

 

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Em entrevista coletiva para apresentar o balanço, o diretor da Petrobrás, Almir Barbassa, disse que a queda no lucro reflete as menores cotações do petróleo no mercado internacional. "O primeiro semestre do ano passado foi um semestre de euforia, com as cotações do petróleo caminhando para o recorde de US$ 147 por barril, atingido por algumas horas no mês de julho", comentou o executivo.

 

Segundo dados da companhia, a cotação do petróleo Brent, negociado em Londres, se manteve em uma média de US$ 109 por barril nos primeiros seis meses de 2008, contra os US$ 52 por barril verificados este ano, uma queda de 53%. O movimento derrubou o lucro de todas as companhias petroleiras mundiais. A gigante Exxon, por exemplo, teve queda de 70% no resultado trimestral.

 

Infográfico AE

Fonte: Petrobrás/Broadcast

 

No caso da Petrobrás, porém, a baixa nas cotações foi parcialmente compensada pelo fato de a companhia ter grande parte de sua produção voltada para o mercado interno, que vem se recuperando melhor da crise financeira. As vendas de combustíveis, por exemplo, atingiram no segundo trimestre o mesmo patamar verificado em junho do ano passado, na casa dos 1,76 milhão de barris por dia - um crescimento de 10% em relação ao primeiro trimestre de 2008.

 

Além disso, a Petrobrás manteve certa estabilidade nos preços dos combustíveis, que fecharam o semestre em R$ 162,15 por barril, em média, apenas 5% abaixo do verificado no mesmo período do ano anterior - a despeito da queda de 53% no preço do petróleo. A política de preços da companhia, portanto, garante menor volatilidade com relação às variações internacionais.

 

"Companhias que operam em mercados mais competitivos são obrigadas a acompanhar de perto a cotação do petróleo, o que não ocorre com a Petrobrás", aponta a analista de petróleo da corretora Ativa, Mônica Araújo. Por outro lado, a empresa tem desempenho pior em tempos de petróleo em alta, uma vez que não consegue repassar todo o aumento para o mercado interno.

 

O fator mercado interno no balanço da companhia é comprovado pelo excelente desempenho da área de abastecimento, responsável pelo refino de petróleo e venda de derivados às distribuidoras. O lucro do segmento teve uma alta de 2.294% no segundo trimestre, para R$ 5,597 bilhões. Já a área de exploração e produção, que vende o petróleo bruto, teve queda de 54% no lucro trimestral, para R$ 5,451 bilhões.

 

"Temos evidência que a política de preços da Petrobrás gera estabilidade e é boa para a companhia, para os acionistas e para o consumidor", comentou Barbassa. Ele disse que a empresa se beneficiou do uso, em suas refinarias, de estoques de petróleo comprados no início do ano, quando o petróleo rondava os US$ 45 por barril. A estratégia garantiu ganho de R$ 1,4 bilhão.

 

Para Barbassa, o resultado do segundo trimestre mostra uma "tendência positiva". Houve aumento de 33% na comparação com o primeiro trimestre e os dados sobre vendas de combustíveis, disse, mostram que o Brasil vem se recuperando bem da crise financeira. A receita operacional líquida cresceu 5% na comparação entre os trimestres, atingindo R$ 44,605 bilhões. Com relação ao mesmo período do ano anterior, porém, houve queda de 18%.

 

Por outro lado, houve perdas com a valorização do Real, que reduziu o valor dos ativos em dólar da companhia. O resultado financeiro líquido da companhia ficou negativo em R$ 2,46 bilhões. No primeiro trimestre, a perda foi de R$ 1,85 bilhão.

 

Caixa

 

A geração de caixa caiu 6%, para R$ 30, 936 bilhões no trimestre. Devido aos altos investimentos, o caixa disponível caiu para perto dos R$ 10 bilhões, 48% a menos do que o verificado no primeiro trimestre. O nível é semelhante ao verificado no segundo semestre de 2008, quando a companhia foi obrigada a buscar financiamento na Caixa Econômica Federal para pagar tributos.

 

"Estamos investindo mais do que gerando", disse Barbassa. Ele afirma, porém, que a situação é tranquila, uma vez que a empresa recebeu títulos do empréstimo de US$ 13,3 bilhões firmado com o BNDES e há a expectativa de depósito do financiamento contratado junto ao bancos chinês e norte-americano de fomento às exportações, que totalizam US$ 12 bilhões. Segundo a companhia, os valores não haviam sido desembolsados até do dia 31 de julho;

 

O alto nível de investimentos, aliado a uma geração menor de caixa, vem provocando um aumento no nível de alavancagem da companhia (razão entre o endividamento e o capital da companhia), que atingiu 28% no final do segundo trimestre. Para Barbassa, um nível entre 25% e 35% é considerado ótimo pelas empresas do setor.

 

O conselho de administração da estatal aprovou ontem o nome do secretário executivo de Petróleo Gás do Ministério de Minas e Energia, José Lima de Andrade Neto, para o cargo de presidente da BR Distribuidora, hoje ocupado por José Eduardo Dutra, que vai se candidatar à presidência do PT.

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