Petróleo faz países da AL se sentirem poderosos, diz AIE

Segundo o diretor da agência, investidores vão pensar duas vezes antes de fechar um negócio nesses países

Jamil Chade, do Estadão,

05 de outubro de 2007 | 16h18

A Agência Internacional de Energia (AIE) destaca que os países latino-americanos produtores de petróleo estão se sentindo "poderosos" diante dos novos preços internacionais do barril da matéria-prima e que, por isso, estão tomando medidas como a que foi anunciada nesta semana pelo Equador. Quito baixou um decreto determinando que o Estado obtenha 99% dos lucros extras obtidos pelas empresas de petróleo. Isso seria válido todas as vezes que o preço do barril passasse de um certo patamar e deve afetar a Petrobras. A lei anterior previa uma divisão em 50% desses lucros."Hoje, o preço do barril está permitindo que esses governos se sintam poderosos", afirmou o vice-diretor-executivo da AIE, William Ramsey, que já foi o responsável do Departamento de Estado norte-americano para questões energéticas. "Medidas como essa são preocupantes, pois os investidores vão pensar duas vezes antes de fechar um negócio nesses países", disse. "Qualquer reabertura de acordos é complicado e pode afastar empresas de um mercado", afirmou Ramsey. Ele lembra que o que ocorre no Equador segue a tendência iniciada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.   "Entendo que, para aqueles governos que negociaram os contratos de exploração no começo dos anos 90, quando o petróleo estava a US$ 18,00 o barril, a lógica é que busquem uma nova realidade que permita que também possam tirar proveito dos novos valores do barril, que chegam a US$ 80,00 e que não vão cair nos próximos meses", disse. "A questão é como renegociar esses acordos para não prejudicar as empresas", completou o representante da AIE.

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