Petróleo fecha acima de US$ 105 o barril, novo recorde

O clima no mercado internacional piorou tanto, que até mesmo o dólar voltou a subir no Brasil

Agência Estado,

06 de março de 2008 | 16h30

O preço do barril do petróleo bateu novo recorde nesta quinta-feira, 6, fechando em US$ 105,47 o barril. Os negócios continuaram refletindo a inesperada queda dos estoques nos Estados Unidos e a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Para piorar, a companhia estatal de petróleo da Colômbia, Ecopetrol, paralisou as operações de seu oleoduto transandino, próximo da fronteira com o Equador, por causa de um ataque de guerrilheiros das das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) à instalação, segundo informações do governo colombiano.  Veja também:   ESPECIAL: Preço do petróleo em altaBovespa cai forte e encerra abaixo de 63 mil pontos Livro Bege confirma desaceleração nos EUAOpep decide manter produção de petróleo, diz delegadoEvolução do preço do dólar Entenda a crise nos Estados Unidos     A Bovespa fechou em queda de 2,56%, aos 62.974,6 pontos. A correção acompanhou as perdas dos índices acionários em Wall Street, após vários fundos de bônus hipotecários não conseguirem cumprir com as chamadas de margem, levando-os a vender ativos líquidos e de alta qualidade para atender a suas obrigações. Os investidores então aceleraram a busca de proteção nos papéis do governo dos EUA, cujos juros derreteram.   O clima no mercado internacional piorou tanto, que até mesmo o dólar voltou a subir no Brasil. Nos últimos dias, apesar das instabilidades, a moeda norte-americana vinha registrando queda, em função do fluxo positivo de moeda para o País. No encerramento dos negócios, o dólar foi vendido a R$ 1,6800 - cotação máxima do dia. Em relação ao fechamento de ontem, a alta foi de 0,48%. Em Nova York, as ações estão em queda. O índice Dow Jones cai 1,08%. A Nasdaq recua 1,42%. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também não conseguiu resistir. Nem mesmo as ações da Petrobras conseguiram subir com a alta do petróleo. Às 16h46, a Bovespa recuava 1,69%. Crise nos EUA Mas o pano de fundo de todo este nervosismo dos investidores está relacionado à crise norte-americana. Hoje saíram novos dados que mostram as condições da atividade econômica no país. O medo de uma recessão nos Estados Unidos, que afetaria a economia de países no mundo todo, é cada vez mais forte. O Departamento do Trabalho divulgou os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA recuaram mais que o esperado na semana passada. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 24 mil para 351 mil na semana encerrada em 1º de março, em base ajustada sazonalmente, informou o Departamento de Trabalho. Foi a maior queda em uma semana desde dezembro de 2006. Na semana anterior, os pedidos foram revisados para 375 mil. Analistas previam queda de 10 mil pedidos para 363 mil, comparado ao dado original da semana anterior, de 373 mil pedidos.  Além disso, a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis (NAR) divulga às 12 horas as vendas pendentes de imóveis de janeiro. Às 12h30, sai o nível dos estoques de gás natural na semana até 29 de fevereiro. E, no final do dia, o banco central norte-americano fala sobre os dados da oferta monetária na semana até 25 de fevereiro. Outro dado foram as vendas pendentes de imóveis nos EUA, que ficaram estáveis em janeiro em relação ao mês anterior, surpreendendo analistas que esperavam outro declínio. Já na comparação com janeiro de 2007, as vendas registraram queda de 19,6%. O índice da Associação Nacional dos Corretores de Imóveis (NAR) sobre vendas pendentes se manteve em 85,9 em janeiro, ante dezembro. Analistas projetavam queda de 1,5%. O que assustou foram os números sobre inadimplência e execuções de hipotecas, que continuaram a subir no quarto trimestre e atingiram patamares recorde, sugerindo que os esforços para acalmar o turbulento mercado imobiliário não mostraram sucesso até agora. A Associação dos Bancos Hipotecários informou que 5,82% dos empréstimos hipotecários estiveram inadimplentes há pelo menos 30 dias durante o quarto trimestre. O porcentual é o mais alto já registrado pela MBA, a sigla da associação em inglês. O número de empréstimos em processo de execução também atingiu recorde no quarto trimestre. A pesquisa da MBA avaliou que 2,04% de todos os empréstimos hipotecários estavam em processo de execução ao final do quarto trimestre, o maior porcentual já registrado. A deterioração é contínua tanto entre os empréstimos subprime - cujos tomadores tem risco maior de crédito - quando entre os empréstimos prime - cujos tomadores tem risco menor de crédito. As execuções para hipotecas subprime à taxas ajustáveis subiram 57 pontos-base para 5,29% no quarto trimestre, enquanto as execuções das hipotecas subprime à taxas fixas subiram 14 pontos-base para 1,52%. Entre as hipotecas prime, as execuções subiram para 1,06%, de 1,02% no terceiro trimestre.  Europa As atenções também estão voltadas para a Europa, onde o Banco da Inglaterra (BOE) decidiu manter a taxa de juros inalterada em 5,25% após a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária. A decisão era esperada pelo mercado, depois que 22 dos 23 economistas entrevistados pela Dow Jones apostarem que o BOE não mexeria nos juros hoje. O Banco Central Europeu (BCE) também manteve a taxa básica de juros da zona do euro em 4% nesta quinta-feira, em linha com previsão do mercado, já que os riscos para o crescimento econômico ainda não são grandes o suficiente para superar as preocupações com a inflação. Além de manter a taxa principal de refinanciamento em 4%, o BCE também afirmou que os juros de depósito continuam em 3% e que a taxa de empréstimo marginal em 5%.  Todos os 72 economistas consultados pela Reuters na semana passada tinham expectativa de manutenção nas taxas de juros. Contudo, a maior parte prevê que o banco central irá reduzir os juros para pelo menos 3,75% até o final de junho, pressupondo que a inflação recorde comece a reduzir até lá. A inflação anual na zona do euro foi de 3,2% em janeiro e fevereiro, o maior nível desde o início de 1997 e bem acima da projeção de pouco menos de 2% do BCE. Texto ampliado às 19h13

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