Petróleo fecha em novo recorde e se aproxima dos US$ 130

Impulsionado por realinhamento do mercado que sugere a persistência da alta, barril fecha a US$ 129,07

Regina Cardeal, da Agência Estado,

20 de maio de 2008 | 18h19

Os contratos futuros de petróleo e derivados fecharam em recordes de alta, impulsionados por um realinhamento do mercado que sugere a persistência dos preços elevados no longo prazo. O contrato do petróleo leve para entrega em junho, que expirou nesta terça-feira, subiu US$ 2,02 o barril, ou 1,59%, para o recorde de US$ 129,07, após atingir o recorde de alta intraday a US$ 129,60 o barril. O contrato para julho, que se tornará a primeira entrega futura nesta quarta, fechou em alta de US$ 2,26, ou 1,78%, em US$ 128,98.  Veja também:Preço do petróleo em alta  O mercado está numa situação incomum. O contrato futuro entrante, julho, era o mais barato no encerramento, numa reversão direta do padrão recente. Os preços no fim da curva (os contratos mais distante) subiram acentuadamente, mas com pouco volume de negócios, disseram os traders. O petróleo para entrega em dezembro de 2016, o mais longo contrato, fechou em US$ 138,38 o barril, alta de US$ 8,40 e apresentou prêmio de US$ 9,31 sobre o contrato que vencia, junho. Em 6 de maio, o contrato de junho apresentava prêmio de US$ 8,60 em relação ao contrato de dezembro de 2016.  Tom Bentz, corretor e analista do BNP Paribas, em Nova York, disse que os ganhos nos contratos mais longos provavelmente estão relacionados a compras para cobertura de posições pelos produtores. Aparentemente, "as pessoas estão prevendo que os preços continuarão elevados por muito tempo", disse.  Traders disseram que uma alta acima de US$ 130 o barril teria desencadeado mais ganhos acentuados dos preços. Mas o mercado agora parece que vai aguardar por direção com base nos dados semanais dos estoques de petróleo que os EUA divulgam nesta quarta. O óleo de calefação para junho fechou em alta de US$ 0,0999, ou 2,7%, no recorde para fechamento de US$ 3,775 o galão. A gasolina Rbob para junho fechou em alta de US$ 0,0678, ou 2,1%, no recorde de US$ 3,3044 o galão.  Michael Wittner, analista do Société Générale em Londres, elevou sua previsão de preço para o barril de petróleo e agora espera o pico mensal no ano em US$ 128 o barril em setembro. "Iso implica novos recordes de alta de US$ 133/US$ 138" para o WTI, ele afirmou.  Os preços ganharam impulso ontem depois que a Opep informou que não vai mudar sua produção antes do próximo encontro marcado para setembro. O presidente da Opep, Chakib Khelil, fez o comentário depois que a Arábia Saudita, líder de fato do grupo, informou na sexta-feira que elevou sua produção em 300 mil barris por dia em resposta a pedidos de clientes.  O empresário do petróleo T. Boone Pickens disse esta manhã à rede de notícias CNBC que acredita que o petróleo continuará subindo, talvez até US$ 150 o barril este ano. Ele disse que os preços elevados se devem à redução na oferta global, mais de que a uma bolha causada pelos especuladores.  O ex-presidente do Fed Alan Greenspan, por sua vez, disse que o aumento dos preços do petróleo, assim como o rápido aumento dos alimentos, são, em parte, causados por uma bolha. "Há aspectos de uma bolha no petróleo e nos grãos, mas há forças de fundamento os impulsionando", afirmou.

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