Petróleo fecha em queda de US$ 5, a maior desde 1991

Contratos futuros da commodity em Nova York despencam, impulsionados por desaceleração na demanda

Regina Cardeal, da Agência Estado,

19 de março de 2008 | 17h24

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda de quase US$ 5,00 o barril nesta quarta-feira, 19, o maior desde janeiro de 2001, quando os EUA lançaram sua operação para expulsar as tropas iraquianas do Kuwait e simultaneamente abriram suas reservas estratégicas da commodity.  Veja também: Bovespa despenca 5% influenciada pela queda nas commoditiesDólar sobe quase 2%, mas fluxo ao país sinaliza quedaResultado do Morgan Stanley é melhor que o previsto 'Crise é 30 vezes maior que a de 1998', diz LulaDepois de corte de juros nos EUA, Bovespa fecha na máxima Juro americano cai para 2,25% e Fed sinaliza novas reduções Petróleo fecha perto de US$110 com corte de juro do FedCronologia da crise financeira   Um relatório mostrando uma desaceleração na demanda por petróleo nos EUA ajudou a derrubar o petróleo, mas a maioria dos participantes do mercado disse que a dinâmica maior que afeta os instáveis fundos de investimentos alimentaram a onda de vendas. Os contratos do petróleo de abril, que vencem nesta quarta, fecharam em queda de US$ 4,94, ou 4,51%, em US$ 104,48 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex). O contrato mais ativo, de maio, fechou em queda de US$ 5,96, ou 5,49%, em US$ 102,54 o barril. O contrato de maio do Brent caiu US$ 4,84, para US$ 100,72 o barril, no mercado eletrônico ICE. A queda do petróleo reflete a venda geral nos mercados de commodities, de ouro a prata, passando por soja e cacau, com o leve fortalecimento do dólar levando os fundos de investimento a liquidarem posições. "O que estamos de fato venda é uma completa mudança dos fundos para fora dos mercados de commodities", disse Mike Zarembski, analista sênior de commodities da corretora optionsXpress Inc. de Chicago. "Minha tela de cotações estão toda no vermelho". O petróleo estava sendo negociado em queda de cerca de US$ 3 o barril quando o Departamento de Energia (DOE) dos EUA divulgou as estatísticas semanais sobre estoques de petróleo no país. Os dados mostraram um inesperado declínio de 3,4 milhões de barris nos estoques de gasolina, um surpreendente declínio de 2,9 milhões de barris nos estoques de destilados e um aumento nominal nos estoques de petróleo, levando o mercado a limitar momentaneamente as perdas. Esta tendência, no entanto, logo foi revertida. Alguns analistas destacaram que o relatório sobre a semana encerrada no último dia 14 mostrou uma desaceleração de cerca de 3,2% na demanda nas últimas quatro semanas na comparação com o mesmo período no ano anterior. A demanda de petróleo dos EUA ficou em média em 20,259 milhões de barris por dia no período, levemente abaixo de um quarto do consumo diário mundial do produto. "Estamos vendo alguma fraqueza acumulada na demanda", disse Peter Beutel, presidente da Cameron Hanover, firma de gestão de risco de energia de New Canaan, Connecticut. Mas não há nada ali que justifique uma queda de US$ 5,00, acrescentou. Na quinta-feira passada, o petróleo fechou no recorde de US$ 110,33 o barril na Nymex. Na segunda-feira, bateu recorde intraday em US$ 111,80 o barril, antes de cair US$ 4,53 no dia. Ontem, o petróleo subiu US$ 3,74 depois que o Fed cortou o juro de curto prazo 0,75 ponto porcentual.

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