Petróleo fica em alta mesmo com recessão, dizem especialistas

Preços da commodity devem continuar elevados, pressionados pela crescente demanda de emergentes

João Caminoto, da Agência Estado,

25 de janeiro de 2008 | 14h09

Apesar da ameaça de recessão nos Estados Unidos, e a inevitável desaceleração do crescimento econômico mundial, os preços do petróleo vão continuar elevados e voláteis, podendo até subir ainda mais, pressionados pela crescente demanda em países emergentes como a China e a Índia nos próximos anos. Veja também: Personalidades pedem em Davos mais ações contra pobrezaRodada Doha é remédio para recessão nos EUA, diz AmorimCotação média do petróleo ficará acima de US$81 no anoO pior está por vir, diz premiê britânico Bush teme 'desastre' se pacote de estímulo for adiado Em dia de poucos negócios, dólar sobe 0,17%  Essa foi a principal conclusão da Cúpula de Energia, evento paralelo ao Fórum Econômico Mundial, que reuniu autoridades, executivos de grandes empresas petrolíferas e analistas do setor energético. "O consenso é que os preços do petróleo não vão cair", disse à Agência Estado o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, um dos participantes. "O que ninguém sabe é se eles podem subir mais, e quanto." O economista-chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, ressaltou que os preços do petróleo voltaram a subir para acima dos US$ 90 por barril nos últimos dias apesar das incertezas em torno da economia norte-americana e do recente estresse que assolou os mercados financeiros. "Esse é um sinal importante, pois mostra que mesmo com o risco de recessão, os preços continuam subindo de volta com facilidade", disse Birol. "Estamos diante de uma nova ordem energética mundial na qual a China e a India vão determinar a demanda de energia e as empresas petrolíferas estatais estão se tornando dominantes no lado da oferta." A única opinião discordante sobre a tendência dos preços foi do economista Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard. Ele prevê que uma recessão nos Estados Unidos terá um impacto relevante no consumo de commodities em todo o mundo. "O preço do barril do petróleo deve cair para cerca de US$ 75 com a queda no consumo", disse. "E se o dólar não estivesse tão fraco e a inflação tão elevada a queda seria ainda maior, para um pouco abaixo dos US$ 70." Rogoff alertou, no entanto, que a "volatilidade nos preços vai continuar durante muitos anos". Opep A possibilidade da Opep elevar sua produção para aliviar o aperto entre a demanda e a oferta mundial foi, mais uma vez, descartada por um dos representantes do cartel presente no evento, o vice-primeiro-ministro do Quatar, Abdulla Bin Hamad Al Attiyah. "Nós vamos produzir a quantidade de petróleo que sabemos que as pessoas vão consumir, e não disponibilizar mais do que o necessário", afirmou. Al Attiyah atribui os preços elevados à especulação nos mercados financeiros. Mas Birol discordou e aproveitou para alfinetar a Opep. "Os preços estão elevados porque o consumo está crescendo e a oferta é limitada", disse o economista da AIE. "A especulação apenas amplifica essa tendência." A necessidade de pesados investimentos no setor, principalmente em energias alternativas e renováveis, também foi um tema de destaque no encontro. "Se não encontrarmos uma estrutura certa, que leve em conta o balanço entre o aumento da demanda e a necessidade de energia limpa, teremos sérios problemas no futuro próximo" alertou Birol.

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