Petróleo impede queda nos juros

A queda das taxas de inflação, que já vem sendo confirmada pelas prévias dos índices que começaram a ser divulgados semana passada, não significará necessariamente juros mais baixos. Enquanto persistir o cenário incerto para o petróleo, a tendência do Comitê de Política Monetária (Copom) será manter a taxa básica da economia, a Selic, em 16,5% ao ano, fixada na reunião de agosto. A avaliação de diretores de tesouraria de bancos e de economistas do mercado financeiro baseia-se principalmente no conteúdo da ata da última reunião do Copom, que cita a inflação e o petróleo como os principais motivos da manutenção da taxa de juros. Apesar dos resultados recentes dos índices de inflação serem mais tranqüilizadores, o mercado ainda acha cedo apostar que isso já seja uma tendência para os próximos meses. "A inflação está caindo, mas a tendência do Copom é esperar que esse movimento se consolide", diz o diretor de tesouraria do Banco Alfa, Ivan Dumont da Silva. O gestor de renda fixa do ABN Asset Management, Eduardo Castro, tem opinião parecida. "O Banco Central irá avaliar a situação por, pelo menos, mais um mês e vem deixando claro que o que houve foi um choque de oferta", afirma. Mais cautela Esse risco, no entando, não deve ser afastado. O economista do Pictet Modal Asset Management, Luis Otávio Souza Leal, lembra que o atual diretor responsável por assuntos de política econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, é mais cauteloso do que seu antecessor, Sérgio Werlang. "O Ilan presta muita atenção e sabe o poder de alavancagem do crédito, enquanto o Werlang dava mais peso à massa salarial", diz. É por esse motivo que ele acredita que, mesmo que o mercado do petróleo se normalize e que a inflação fortaleça a sua tendência de queda, não há garantias que o Copom de outubro volte a reduzir as taxas de juros. Na opinião de Leal, o crescimento da massa salarial do segundo semestre - período de datas-base importantes como comerciários, metalúrgicos e bancários - vai se refletir em mais consumo no primeiro trimestre do próximo ano. Há, também, outro risco. "Se os preços do petróleo não caírem, em algum momento o Copom poderá ser obrigado a elevar os juros para compensar eventuais altas na inflação, provocadas pelo impacto dos combustíveis", diz. E como não quer colocar em risco a meta para 2001, não pode ser descartada uma antecipação, sendo possível um aumento dos combustíveis. Para o economista chefe do Citibank, Carlos Kawal, o risco aumentou muito e há muitas dúvidas em relação ao comportamento de preços no próximo ano. "Temos que ficar muito atentos ao petróleo", recomenda.

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