Petróleo não passará de US$ 100 até 2013, diz especialista

Para Adriano Pires, diretor do CBIE, produtores terão que se ajustar ao fim dos tempos de bonança

Luciana Xavier, da Agência Estado,

28 de novembro de 2008 | 13h44

O petróleo deve continuar em baixa no longo prazo e os países produtores de petróleo terão que se ajustar ao fim dos tempos de bonança, quando o barril se aproximou de US 150, avaliou nesta sexta-feira, 28, o especialista em petróleo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).   Veja também: Deterioração da economia global aumenta dilema da Opep De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise     "Creio que em 2009, o preço do barril de petróleo vai ser de US$ 50 a US$ 60. Mas tudo vai depender da profundidade da recessão mundial. O período ainda é de bastante pânico nos mercados. Não acho que o petróleo ficará acima de US$ 100 pelo menos nos próximos 4 a 5 anos", afirmou à Agência Estado.   Segundo ele, os países mais dependentes de petróleo vão sofrer problemas sérios, como é o caso, na América Latina, da Venezuela, Equador e México. Pires disse que a Venezuela já perdeu mais da metade de sua receita com a queda do petróleo. No caso do Brasil, Pires disse que a Petrobras terá de conviver com petróleo mais baixo, mas disse que a queda do petróleo não é de todo ruim para o País. Pires estima que o PIB brasileiro ficará em 2,5% ou 2,8% em 2009.   "A queda do preço do petróleo é ruim para a Petrobras, mas para as contas brasileira é interessante. Até porque este ano mesmo a gente vai ter um déficit na conta de petróleo muito grande, porque a gente ainda importa uma quantidade de petróleo de 15% a 20% , que é leve , pra fazer o blend nas refinarias. E a gente importou muito diesel no passado.(...) Então, para as contas nacionais, a queda do preço do petróleo é até uma boa noticia", explicou.   Balanço   O especialista afirmou ainda que o balanço do 4º trimestre da Petrobras deve trazer um caixa ainda menor que o do 3º trimestre. A situação da Petrobras, segundo ele, pede um olhar atento. "Quero deixar claro que não estamos falando que a Petrobras está desabando. Não há tsunami. Mas a saúde financeira preocupa e temos que ficar atentos. Falar que a situação financeira da empresa é excelente também está errado. Acho que os senadores têm razão em convocar os dirigentes da Petrobras para procurar explicações mais concretas. As declarações de ontem não foram com grau e substancia que o mercado exige", avaliou. A Petrobras recentemente pediu empréstimo de R$ 2 bilhões à Caixa Econômica Federal. Para ele, uma vez que o resultado de 4º trimestre deve ter geração de caixa menor, mais empréstimos poderão ser solicitados às instituições financeiras. "A Petrobras vai ter que ir a mercado, não tem jeito. Mas isso vai prejudicar empresas menores que precisam pegar recursos", disse.   Segundo Pires, é fundamental que a Petrobras se ajuste à nova realidade de petróleo ao redor de US$ 50. "Vai ter que cortar custo, despesa. A Petrobras vai ser obrigada a cortar investimentos", disse.   Ele afirmou também que a Petrobras deve rever o projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). "O projeto Comperj está fora da realidade", disse o diretor, que espera que a questão do pré-sal. "A chance de o investimento do pré-sal ser postergado é grande", acrescentou.   O diretor da CBIE disse que diante da necessidade de rever todos os investimentos, o mais provável é que a Petrobras não divulgue o Plano de Negócios 2009-2013. Pode ser até que opte, por exemplo, por divulgar plano estratégico para os próximos 20 anos e não divulgar um plano detalhado, como fazia de costume, para os próximos 5 anos".

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