Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO
Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Bolsas de Ásia e Europa têm dia de recuperação após caos nos mercados; petróleo opera em alta

Além das Bolsas estarem com viés de alta, petróleo também repõe perdas da segunda-feira, 9

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 22h02
Atualizado 11 de março de 2020 | 15h03

Após uma segunda-feira com tombos nos mercados financeiros ao redor do mundo, as Bolsas da Ásia fecharam em alta generalizada nesta terça-feira, 10, apagando parte das robustas perdas que sofreram, em meio à expectativa de que governos tomem novas medidas para amenizar o impacto econômico da disseminação do coronavírus

Na segunda à noite, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano irá apresentar uma proposta de benefícios fiscais voltada para conter os efeitos da doença na economia. Trump deve falar sobre o assunto em coletiva de imprensa nesta terça. Com o mesmo objetivo, o Japão deve anunciar um segundo pacote de estímulos e medidas fiscais nesta terça, segundo fontes da Reuters. 

Na Europa, o mercado financeiro segue a mesma tendência e as Bolsas operam em alta na manhã desta terça. Na segunda, o após o índice pan-europeu Stoxx 600 sofreu um tombo de mais de 7% e entrou em "bear market", em meio a uma violenta queda de mais de 20% do petróleo e preocupações com o coronavírus, sustentadas por expectativas de que governos tomem medidas para combater os efeitos da disseminação da doença.

Os números do mercado europeu, às 5h14, horário de Brasília, eram: Bolsa de Londres subia 1,24%, a de Frankfurt avançava 0,79% e a de Paris se valorizava 1,19%. Já em Milão, Madri e Lisboa, os ganhos eram de 0,23%, 0,54% e 1,57%, respectivamente. 

Na Ásia, o índice acionário japonês Nikkei encerrou o pregão em Tóquio em alta de 0,85%, a 19.867,12 pontos. Mais cedo, o presidente do Banco do Japão (BoJ), Haruhiko Kuroda, reiterou que a instituição poderá voltar a agir, se necessário, e disse que levará em conta o recente movimento de valorização do iene ante o dólarEm outras parte da Ásia, o Hang Seng subiu 1,41% em Hong Kong, a 25.392,51 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,42% em Seul, a 1.962,93 pontos, e o Taiex mostrou leve valorização de 0,24%, a 11.003,54 pontos. Na China continental, o Xangai Composto avançou 1,82%, a 2.996,76 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto subiu 2,42%, a 1.887,34 pontos.

Dados oficiais mostraram que a taxa anual de inflação ao consumidor chinês desacelerou levemente entre janeiro e fevereiro, de 5,4% para 5,2%. Já os preços ao produtor tiveram queda anual de 0,4% no mês passado, voltando a mostrar deflação à medida que as fábricas locais suspenderam operações por causa do coronavírus.

Apesar do tom positivo, as bolsas asiáticas reverteram nesta terça apenas uma fração dos tombos que sofreram ontem, em meio a uma violenta queda de mais de 20% nas cotações do petróleo e preocupações com o coronavírus. O presidente chinês, Xi Jinping, fez sua primeira visita à cidade de Wuhan - epicentro da doença - desde o início da epidemia.

Na Oceania, a Bolsa australiana fechou em alta considerável, mas não apagou nem metade da desvalorização da véspera. O S&P/ASX 200 saltou 3,11% em Sydney, a 5.939,60 pontos. No começo do pregão, porém, o índice chegou a cair 3,8% e a entrar brevemente em "bear market", ao acumular perdas de mais de 20% em relação a seu pico mais recente. 

O petróleo também começou o dia em recuperação, após a maior baixa em uma só sessão desde 1991. O barril do Brent operava na casa dos US$ 36 - no pior momento do pregão de segunda-feira, a cotação encostou em US$ 31. À 0h15 (de Brasília), o Brent para maio saltava 6,81% para US$ 36,70, na Intercontinental Exchange. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para abril avançava 5,88%, para US$ 32,96. 

Os contratos futuros ampliaram a alta a mais de 8% após a Reuters noticiar que a Rússia convocou uma reunião com petrolíferas para discutir futuras cooperações com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Investidores também estão de olho na desaceleração do coronavírus na China e nos estímulos fiscais que serão anunciados hoje pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Às 08h33 (de Brasília), o petróleo WTI para abril subia 10,18%, a US$ 34,31 o barril, enquanto o Brent para maio avançava 10,39%, a US$ 37,93. 

As petrolíferas chinesas PetroChina e CNOOC, que nesta terça-feira ensaiam uma recuperação de uma segunda-feira de pânico nos mercados globais, podem ser afetadas duramente pelo recente derretimento dos preços de petróleo, aponta o Daiwa Capital.

O banco de investimentos japonês rebaixou a classificação da PetroChina de "compra" (buy) para "acima da média de mercado" (outperform), um reflexo dos preços mais baixos de petróleo e da demanda reduzida pela epidemia do novo coronavírus, cortando o preço-alvo da ação da empresa de 4,85 dólares de Hong Kong para 3,10 dólares de Hong Kong.

No caso da CNOOC, o rebaixamento foi de "manter" (hold) para "abaixo da média de mercado" (underperform), e o corte do preço-alvo da ação de 11,80 dólares de Hong Kong para 9,90 dólares de Hong Kong.

Por volta das 2h30 (de Brasília), nesta terça-feirta, a ação da Petrochina em Hong Kong subia 3,68%, para 2,81 dólares de Hong Kong, enquanto a da CNOOC tinha alta de 2,96%, a 9,05 dólares de Hong Kong. Nessa marcação, o índice Hang Seng avançava 1,84%, aos 3.534,72 pontos. / Sergio Caldas, Iander Porcella, Mateus Fagundes e Nicholas Shores 

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