Petróleo pode afetar indiretamente o Brasil, diz Mantega

Ministro disse que a nova política industrial será importante para dar continuidade ao processo de investimentos

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

23 de abril de 2008 | 20h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem que o aumento das cotações do barril de petróleo deve ter um impacto menor na inflação brasileira do que em outros países, como Rússia, Índia e China. Segundo ele, o impacto no Brasil será indireto. "O reflexo indireto se deve ao impacto, por exemplo, no custo dos alimentos", disse o ministro, lembrando que alguns derivados de petróleo são usados no setor agrícola. "O maior problema que nós temos no mundo hoje é a inflação de alimentos de commodities agrícolas, e também o custo de energia através do petróleo. Mas esse problema não é só do Brasil. É do mundo todo", argumentou o ministro. Mantega lembrou ainda que o País tem auto-suficiência em petróleo e que, por isso, "os preços dos combustíveis no Brasil não se movem de acordo com o preço internacional do barril de petróleo". Ele argumentou também que o Brasil é grande produtor das commodities cujos preços estão subindo. Juros Mantega evitou comentar a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom), que na semana passada elevou em 0,5 ponto porcentual a taxa básica de juros (Selic), para 11,75% ao ano. O BC espera que a medida seja preventiva e contenha a alta da inflação. Embora elas sejam públicas, Mantega negou que houvesse divergências entre a Fazenda e o BC. "Cada um faz o seu trabalho. O Banco Central cuida da parte da inflação e nós cuidamos da parte fiscal, que está indo muito bem", afirmou o ministro, que participou da solenidade de posse do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. De acordo com Mantega, por causa da política fiscal, o País está crescendo e se distinguindo dos outros países que estão em dificuldades. "Estamos satisfeitos", acrescentou. O ministro também garantiu que o contingenciamento no orçamento de 2008, de R$ 19,4 bilhões, é suficiente para que o governo possa chegar até o final deste ano executando o orçamento e fazendo o superávit primário estabelecido (de 3,8% do PIB). O ministro disse também que a nova política industrial, que será anunciada no dia 12 de maio no Rio de Janeiro, será muito importante para dar continuidade ao processo de investimentos no País e, sobretudo, para impulsionar as exportações. "A política industrial vem se somar a ao processo de aumento de investimentos e de crescimento econômico em curso. Vamos continuar na rota do crescimento sustentável que temos trilhado nos últimos anos", destacou. Mantega explicou que a nova política industrial não terá efeito direto na taxa de câmbio, mas reduzirá o custo dos investimentos e das exportações.  A data de lançamento da política industrial foi fechada ontem em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e da Fazenda, Guido Mantega, além dos presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri.  Jorge informou que o governo ainda não fechou o valor das desonerações de impostos da nova política industrial. Ele explicou que foram traçadas as linhas de redução de impostos e a mudança de alguns regulamentos, "mas o valor da desoneração ainda não está calculado". Ele afirmou que a nova política beneficiará 24 setores.

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