Petróleo pode chegar a US$ 100, prevê centro

O petróleo, que nesta sexta-feira chegou a bater US$ 78 o barril, deve continuar a subir especialmente por conta das tensões geopolíticas. A avaliação é do presidente do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires. Para ele, não é exagero dizer que o petróleo pode chegar a US$ 100 o barril. "Não é exagero. Pode ser US$ 80, US$ 100, US$ 110", disse em entrevista ao Broadcast Ao Vivo.Ele lembrou que desde o ano 2000 o crescimento econômico mundial fez a demanda encostar na oferta. "O mundo cresceu muito e surgiu um grande novo consumidor, a China", explicou. Segundo ele, a demanda hoje está em torno 84 milhões barris por dia e a oferta em torno de 85 milhões de barris diários. "A gente poderia dizer que a oferta é igual á demanda".Além dos fatores climáticos, como os vários furacões do ano passado, que sempre tem impacto sobre os preços do petróleo. Ele disse ainda que a atuação das bolsas de petróleo também faz com que os preços subam muito. "Há uma especulação muito grande", acrescentou.Sem contar que as questões geopolíticas passaram a ter peso maior na cotação da commodity depois dos atentados de 11 de setembro. Os últimos dois meses, disse Pires, apresentaram um "menu de tensões" geopolíticas, com Irã, Coréia do Norte, Nigéria e agora também Líbano e Israel. "Ninguém sabe o que o Al-Qaeda vai fazer", disse em relação aos ataques de Israel no Líbano.PioraSegundo ele, o fato de a demanda e oferta estarem praticamente iguais e de não haver capacidade ociosa no refino piora o cenário. "Qualquer movimento, mesmo que aparentemente não tenha efeito direto, acaba tendo. Porque sempre há risco de desabastecimento no caso de um grande conflito", analisou.O especialista reconhece que o impacto da alta do petróleo sobre as economias hoje é mais reduzido do que foi no passado, como na crise da década de 70. "Agora, com petróleo a US$ 70 começa a influenciar de maneira considerável na taxas de crescimento mundial, não tenho a menor dúvida", disse, ressaltando que a economia brasileira também pode ser afetada se o petróleo se mantiver nesses patamares.Pires espera, no entanto, que haja uma mudança no ritmo de crescimento mundial. "A economia mundial não deve continuar crescendo a taxas como tem crescido desde 2000. A única maneira de petróleo cair no curto prazo é desacelerar o ritmo de crescimento econômico".O que não significa necessariamente que Pires espere que o petróleo recue tão cedo. "Prevejo que nos próximos anos você vai continuar tendo preços altos do petróleo. As questões geopolíticas vão determinar muito na formação desse preço. O mundo vai depender mais da Opep e conseqüentemente as turbulências vão continuar", garantiu.Com relação aos preços praticados no Brasil, o especialista descarta que possa haver qualquer reajuste antes das eleições. "A Petrobras deveria aproveitar a inflação baixa para aumentar um pouco para aumentar a gasolina, o diesel e mesmo o gás de cozinha. Mas ela não vai fazer isso. Porque estamos em ano eleitoral", disse.Segundo ele, a defasagem da gasolina em relação ao mercado externo é de 16% a 18% e no caso do diesel, 14% a 15% mais barato. "Dificilmente a Petrobras vai deixar de fazer o reajuste após a eleição", afirmou. O reajuste, de acordo com especialista, poderá vir em etapas para não ter muito impacto sobre a inflação e sobre a popularidade do governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.