Petróleo pressiona alta de dólar e juros

O petróleo continuou batendo recordes de alta no mercado internacional e esse comportamento teve reflexos negativos nos negócios feitos no Brasil nessa manhã. No mercado de câmbio, a tensão com o preço do barril do produto fez com que a moeda norte-americana ultrapassasse a barreira dos R$ 1,85 e, há pouco, estava cotada no patamar máximo do dia - R$ 1,8630 - indicando uma alta de 0,98% em relação aos últimos negócios de sexta-feira.No mercado de juros, o preço do petróleo também teve reflexos negativos. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - começam a tarde pagando juros de 17,385% ao ano, frente a 17,270% ao ano registrados na sexta-feira. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a abertura foi próxima da estabilidade porque o mercado norte-americano indicava um dia tranqüilo. Porém, com a falta de recursos novos, as operações no Brasil não resistiram ao impacto dos mercados de câmbio e juros e às preocupações com o petróleo. Há pouco, a Bovespa operava em queda de 3,41%. As bolsas norte-americanas também não resistiram. A Nasdaq - que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - acumula queda de 2,95% e o índice Dow Jones - que mede a valorização das ações de empresas mais negociadas na Bolsa de Nova York - opera em queda de 0,72%.Copom decide Selic na quarta-feiraA alta contínua do preço do petróleo preocupa os investidores no Brasil. Caso ela se mantenha, o governo brasileiro pode ser obrigado a elevar os preços dos combustíveis e isso afetaria os índices de inflação. O governo já garantiu que a meta anual de inflação para 2000 - de 6%, com possibilidade de alta de dois pontos porcentuais - será mantida. Mas, uma pressão maior sobre os índices pode impedir que o governo promova novos cortes na taxa básica de juros (Selic) ainda esse ano.É nesse cenário que o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se, hoje e amanhã, para reavaliar a taxa Selic. Em ata da última reunião do Comitê, a alta do preço do petróleo já era apontada como o principal motivo para a manutenção dos juros. Novamente os analistas acredita que o Copom deve assumir uma postura de cautela e deixar a taxa básica de juros em 16,5% ao ano, com viés neutro, ou seja, nova avaliação da taxa seria feita apenas na próxima reunião.

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