Petróleo segurou queda da Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 16,5% ao ano, com viés neutro, ou seja, a taxa só poderá ser alterada novamente na próxima reunião do Copom, dias 17 e 18 de outubro. O principal motivo para a decisão, de acordo com os analistas, é a instabilidade em relação ao preço do petróleo. O grande temor é que a alta do produto possa obrigar o governo a elevar o preço dos combustíveis e isso influenciaria a inflação. "Se o preço do petróleo não estivesse pressionado, o Copom poderia até reduzir os juros, já que a inflação permaneceria controlada até o final do ano. Nesse momento, a posição de cautela é a melhor atitude", afirma Ricardo Amorim, economista-sênior do BankBoston. A meta de inflação do governo é de 6% para esse ano, com possibilidade de alta de dois pontos porcentuais. Até agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está em 4,63%. De acordo com Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan, para cada elevação de 10% no preço das refinarias, o consumidor paga 7% a mais pelo litro da gasolina e o Índice é elevado em 0,26 ponto porcentual. Para se ter uma idéia, em maio, o governo promoveu um aumento de 15% nos combustíveis. O impacto na inflação foi percebido nos meses seguintes, principalmente em julho e agosto, quando o IPCA chegou a 1,61% e 1,31%, respectivamente. Preço do petróleo pode cair O preço do barril do petróleo chegou a US$ 37,00 na terça-feira. Trata-se do mesmo nível alcançado na época da Guerra do Golfo. Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management, explica que a alta do preço do petróleo tem sido puxada pela redução dos estoques de petróleo nos Estados Unidos e do inverno no hemisfério norte, quando há um aumento da demanda pelo produto. Porém, os analistas acreditam que o preço do barril deve ceder. No início do mês, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentou a produção diária em 800 mil barris. Mas a produção só deve ser elevada, de fato, a partir de outubro. Segundo apuração da Agência Estado, o presidente norte-americano, Bill Clinton, afirmou que está aguardando mais alguns dias para verificar o impacto do aumento da produção nos preços do petróleo. Caso eles não caiam, os estoques estratégicos do país, cerca de 571 milhões de barris de óleo bruto, poderão ser utilizados. Também o presidente da Opep, Alí Rodríguez, afirmou que o grupo poderia rever novamente a produção do produto, caso os preços continuem a subir. De acordo com esse cenário, Balafas avalia que o preço do petróleo deve ficar alto nos próximos três meses mas, ao final do ano, já estará em patamares mais baixos. Selic pode ter novo corte até o final do ano Mesmo com a alta do preço do petróleo, as chances de um aumento na taxa de juros é considerada remota pela maioria dos analistas. De acordo com Marcelo Maneo, diretor de renda fixa e renda variável da Lloyds Asset Management, o otimismo em relação a um patamar de juros mais baixo no final do ano ficou comprometido, mas a alta da taxa é totalmente descartada. "Antes da alta do petróleo, a nossa expectativa era de que a Selic chegasse em 15,5% ao ano no final de 2000. Reajustamos a nossa aposta para 16% ao ano", afirma. A mesma opinião é assumida por Amorim, do BankBoston: "Desde que o preço do petróleo não fique em elevação e estabilize-se em um patamar inferior ao praticado hoje, a Selic pode cair para 16% ao ano no final de 2000". Veja na seqüência as orientações dos analistas sobre os seus investimentos.

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