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Petróleo sobe mais de 5%; ações da Petrobras acompanham

A queda do dólar, assim como uma deterioração nas relações entre EUA e Rússia, foram motivos para a alta

Regina Cardeal e Kelly Lima, da Agência Estado,

21 de agosto de 2008 | 17h04

O preço do petróleo alcançou o patamar mais elevado dos últimos 17 dias. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o contrato de outubro fechou em alta de US$ 5,62, ou 4,86%, em US$ 121,18 o barril. No mercado eletrônico ICE, em Londres, o contrato do petróleo tipo Brent para outubro subiu US$ 5,80, ou 5,07%, para US$ 120,16 o barril.   Veja também: Rússia interrompe cooperação militar com Otan, afirma aliança    A queda do dólar, assim como uma deterioração nas relações entre EUA e Rússia, foram citadas como fatores por trás dos ganhos desta quinta-feira. Matt Zeman, chefe de mesa da corretora LaSalle Futures Group, comentou que o dólar recebeu um "chute na boca" hoje. "Vimos não só o petróleo, mas basicamente todas as commodities subirem forte", acrescentou.   O petróleo recebeu um impulso adicional da escalada retórica entre EUA e Rússia. A Polônia aceitou no início deste semana receber um sistema antimísseis dos EUA, desencadeando uma irritada resposta da Rússia. As relações entre EUA e Rússia já estavam tensas por causa da guerra entre esta e a Geórgia este mês.   O mercado ainda não está certo se a alta do petróleo é apenas uma pausa na tendência de queda. A demanda dos EUA, que provocou a onda de vendas do petróleo no mês passado, continua fraca. Os estoques de petróleo dos EUA cresceram surpreendentes 9,4 milhões de barris na semana passada, o maior aumento em mais de sete anos, enquanto as refinarias reduzem a produção de gasolina.   Embora a Rússia tenha injetado novas tensões geopolíticas no mix, a falta de qualquer nova ameaça específica contra a oferta de petróleo deixa o mercado com poucos fundamentos para determinar a direção dos preços, além dos fatores técnicos.   Agora que os preços do petróleo fecharam acima de US$ 120 o barril, os analistas estão avaliando se o preço do barril do petróleo pode superar a média em cem dias, de cerca de US$ 126 o barril. Depois disso, US$ 129 se torna a nova barreira, com muitos investidores prevendo novos recordes de alta se este nível for superado. "Acho que US$ 129 é a meta", disse Dean Hazelcorn, trader da corretora Coquest, em Dallas. "Vamos ver o que acontece então."   Petrobras sobe com alta do petróleo   A Petrobras está sabendo escapar do tiroteio de informações contraditórias sobre as possíveis mudanças no marco regulatório, acreditam analistas do mercado. Apesar de certa insegurança, que segurou os preços das ações num primeiro momento, os analistas acreditam que a estatal foi "ajudada" pela alta em geral no valor das commodities e ensaia sua recuperação ainda em época de "incertezas".   "Na prática, o valor das ações da Petrobras também foi atingido por outros fatores, como a queda e agora a recuperação do preço do petróleo. Mas há que ser lembrado o fato de o mercado já estar absorvendo a informação de que a Petrobras não será prejudicada no caso de mudança do marco regulatório, mesmo com a criação de uma estatal", comentou Nelson Rodrigues de Matos, do Banco do Brasil.   As ações da companhia que estava em baixa há dois meses, subiram na quarta-feira em torno de 5,5% e nesta quinta-feira, mais de 4%. Para o analista de uma instituição financeira de São Paulo, a Petrobras só tem que se proteger de possíveis informações errôneas que são divulgadas nos bastidores do setor e que podem prejudicar sua imagem e sua relação de credibilidade junto aos seus acionistas. Ele deu como exemplo, a informação de que a estatal estaria negociando um aporte orçamentário do governo para financiar os investimentos no pré-sal. "A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) cobrou uma postura da Petrobras e ela teve que vir a público para se pronunciar", comentou.   Para Luiz Otávio Broad, da corretora Ágora, a Petrobras está pouco alavancada e não teria problemas em financiar os investimentos no pré-sal. Para ele houve certo prejuízo para as ações da empresa por causa das incertezas geradas e isso pode se repetir enquanto ainda não houver uma definição por parte do governo. "Quanto mais transparente o processo, melhor", disse.

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