Petróleo sobe repercutindo inflação e Fed

Em Londres, o contrato futuro do petróleo tipo Brent para abril avançava 0,15%, para US$ 77,89 por barril

Clarissa Mangueira, da, Agência Estado

19 de fevereiro de 2010 | 14h47

Os preços dos contratos futuros do petróleo são negociados em leve alta, uma vez que os investidores avaliam a divulgação de queda no núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos em janeiro, depois do aumento da taxa de redesconto anunciada pelo Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) ontem. A continuidade dos temores relacionados a greves em refinarias francesas e ao programa nuclear do Irã oferece, por outro lado, suporte para os preços do petróleo.

Às 14h35 (de Brasília), o contrato futuro do petróleo tipo WTI com vencimento em março era negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) eletrônica em alta de 0,39%, a US$ 79,37 por barril. Em Londres, o contrato futuro do petróleo tipo Brent para abril avançava 0,15%, para US$ 77,89 por barril.

O petróleo reduziu suas perdas após o Departamento do Trabalho dos EUA informar que o núcleo do CPI caiu 0,1% em janeiro, pela primeira vez desde 1982. Isto sugere que o Fed ainda tem espaço para deixar as taxas de juros em patamares historicamente baixos, teoricamente limitando pressão de alta sobre o dólar. A commodity abriu o dia em baixa, em consequência da decisão do Fed ontem de aumentar a taxa de redesconto em 0,25 ponto porcentual, para 0,75%. A ação sinaliza que a autoridade monetária começa a retirar as medidas de emergência tomadas durante a crise financeira e a apertar a política monetária.

O anúncio impulsionou o dólar em alta em relação ao euro. O fortalecimento da moeda americana provoca geralmente queda dos preços do petróleo. A possibilidade de que o Fed, após o aumento da taxa de redesconto, tome medidas para elevar as taxas de juros dos atuais níveis extremamente baixos sacudiu os mercados de petróleo, com temores de que isto poderia retardar a demanda por petróleo. "Se o aumento da taxa de juros ocorrer antes do esperado, será ruim para o petróleo por causa do impacto no dólar", disse Phil Flynn, analista do PFGBest em Chicago. Ele destacou, porém, que os dados do núcleo da inflação sugeriram que ainda pode haver um atraso na decisão de subir as taxas de juros.

Há ainda fatores fundamentais de estoque e demanda em jogo, particularmente com o consumo da commodity sendo retomado mais lentamente do que a recuperação econômica. "Apesar do argumento de que a alta da taxa (de redesconto) foi parte de uma estratégia de saída e indicativo de uma economia em recuperação, ainda não estamos vendo nenhuma evidência de melhora na demanda por petróleo conduzida por uma economia mais forte", destacou em nota Jim Ritterbusch, consultor de negociação da Ritterbusch and Associates em Galena, em Illinois.

Segundo ele, a entrada de uma massa de recursos de investidores em busca de ativos mais arriscados, provenientes de índices e de fundos administrados, ajudou a impulsionar a alta dos preços do petróleo esta semana. Ele acrescentou que, se os preços do petróleo continuarem em torno de US$ 76 o barril durante as próximas sessões, poderá haver uma corrida para o nível de US$ 80 o barril. Por outro lado, a greve em refinarias na França e temores sobre o programa nuclear iraniano são ainda "grandes questões" para o mercado, afirmou Phil Flynn. As informações são da Dow Jones.

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