Sergei Karpukhin/Reuters
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Petróleo sobe com temor sobre redução de fornecimento russo

Novas sanções impostas à Rússia podem causar graves interrupções nas exportações de petróleo do país

Reuters

28 de fevereiro de 2022 | 11h06

LONDRES - Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira, 28, quando aliados ocidentais impuseram mais sanções à Rússia e bloquearam alguns bancos russos de um sistema global de pagamentos SWIFT, o que pode causar graves interrupções em suas exportações de petróleo. 

O petróleo Brent LCOc1 subiu 2,65 dólares, ou 2,7%, para 100,58 dólares, depois de chegar a 105,07 dólares por barril no início do pregão. 

O contrato do Brent para entrega em abril expira na segunda-feira. O contrato mais ativo, para entrega em maio, subiu 3,68 dólares, para 97,80 dólares.

"As crescentes preocupações com as interrupções no fornecimento de energia da Rússia estão elevando os preços do petróleo e do gás", disse Carsten Fritsch, analista do Commerzbank.

A Rússia está enfrentando graves interrupções em suas exportações de todas as commodities, de petróleo a grãos, depois que nações ocidentais impuseram duras sanções a Moscou e cortaram alguns bancos russos do sistema internacional de pagamentos SWIFT.

"A Rússia pode retaliar essas medidas duras reduzindo ou até suspendendo completamente os embarques de energia para a Europa", disse Fritsch.

O petróleo bruto russo responde por cerca de 10% da oferta global.

O banco Goldman Sachs elevou sua previsão de preço do Brent de um mês para 115 dólares o barril, de 95 dólares anteriormente.

"Esperamos que o preço das commodities das quais a Rússia é um produtor-chave aumente a partir daqui - isso inclui o petróleo", disse o banco.

As negociações entre a Ucrânia e a Rússia começaram na fronteira bielorrussa, disse um assessor presidencial ucraniano, com o objetivo de concordar com um cessar-fogo imediato.

"Se houver algum progresso nesta reunião, veremos uma forte reversão nos mercados - veremos as ações subirem, o dólar subir e o petróleo cair", disse o analista da OANDA, Jeffrey Halley.

A petrolífera britânica BP BP.L decidiu sair de seus investimentos russos em petróleo e gás, abrindo uma nova frente na campanha do Ocidente para isolar a economia da Rússia. A BP é o maior investidor estrangeiro da Rússia.

As sanções e o êxodo de empresas petrolíferas ocidentais podem afetar a produção de petróleo russa no curto prazo, disseram analistas.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e aliados liderados pela Rússia, grupo conhecido como OPEP+, devem se reunir no dia 2 de março. 

Antes da reunião, a Opep+ revisou para baixo sua previsão para o superávit do mercado de petróleo para 2022 em cerca de 200.000 bpd para 1,1 milhão de bpd, ressaltando o aperto do mercado.

Reportagem adicional de Sonali Paul em Melbourne e Alex Lawler em Londres

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