Petróleo tem forte influência na decisão do Copom

Os contratos de petróleo para julho fecharam a US$ 32,85 o barril. Ontem, o mesmo papel era vendido a US$ 32,56 na New York Mercantile Exchange - bolsa que negocia contratos futuros do óleo. A alta vem preocupando os analistas e pode impedir a queda dos juros básicos - Selic - no Brasil. No dia 20, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir os rumos dos juros.O que mais se espera é que os juros continuem nos patamares atuais - 18,5% ao ano -, mas com adoção de viés de baixa. Com isso, o Copom manteria uma posição conservadora, mas sinalizando que a tendência para os juros é de queda. Alguns analistas chegam a afirmar que o recuo das taxas pode acontecer já no início de julho. Uma das opções do Copom é esperar pela decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sobre um possível aumento da produção do óleo, que está marcada para o dia 21. Além disso, nos dias 27 e 28 de junho, o banco central norte-americano (FED) se reúne para definir sobre as taxas de juros nos Estados Unidos. Com base nesses dois resultados, o Copom pode reavaliar sua decisão com mais segurança. Por que o preço do petróleo pode comprometer a queda de juros no Brasil? De acordo com Fábio Fukuda, economista da consultoria Tendências, a alta do petróleo tem efeito direto sobre os juros no Brasil. Isso porque as taxas altas representam uma forma de contenção das pressões inflacionárias, que podem acontecer, caso o preço do petróleo aumente. "Nesse momento, a inflação é uma das variáveis de maior estabilidade dentro da economia brasileira. Mexer nos juros agora pode ser um risco à essa estabilidade e o Copom sabe disso", afirma.Na opinião de Marcelo Cypriano, economista do BankBoston, o efeito do aumento do custo do petróleo nas taxas de juros brasileiras será medido pela forma como essa elevação vai atingir a economia norte-americana. Isso porque a economia dos Estados Unidos ainda está aquecida e a inflação sofre pressões. Cypriano explica que o aumento do petróleo reforçaria ainda mais essa situação negativa, que pode ser neutralizada pelo aumento das taxas de juros.Com os juros altos nos Estados Unidos, a estratégia de queda de juros no Brasil fica comprometida. O País precisa manter os juros atraentes aos olhos dos investidores, pois é muito dependente desse capital para pagar suas dívidas. "Nesse caso, o efeito da alta do petróleo incide sobre o Brasil de forma indireta, via economia norte-americana", explica.

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