Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Petróleo tem maior queda desde 1991 com 'guerra de preços' iniciada pela Arábia Saudita

Disputa com a Rússia levou os preços do barril a quedas de mais de 24%; a Agência Internacional de Petróleo projeta que o consumo de petróleo este ano terá a maior queda desde 2009

André Marinho e Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 17h10

Os contratos futuros de petróleo fecharam esta segunda-feira, 9, na maior queda diária desde a Guerra do Golfo, em 1991, em meio à "guerra de preços" deflagrada pela Arábia Saudita em retaliação à recusa da Rússia em concordar com cortes na produção.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril encerrou a sessão despencando 24,58%, ou US$ 10,15, levando o barril a ser cotado a US$ 31,13. Na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para maio tombou 24,10%, ou US$ 10,91, a US$ 34,36 o barril, menor valor em quatro anos.

O pânico no mercado da commodity começou ainda no domingo, 8, quando as duas principais cotações abriram com queda de quase 30%. Na noite de sábado, a petrolífera estatal saudita, Saudi Aramco, anunciou aumento da produção e redução de preços no barril, após a Rússia vetar um acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

A medida foi interpretada como a deflagração de uma "guerra de preços". Segundo analistas, o objetivo da manobra seria forçar os russos a retomarem as negociações sobre cortes na produção, para fazer frente ao recuo da demanda global em meio ao surto de coronavírus. "No momento em que o mundo precisa de menos petróleo, Arábia Saudita e Rússia estão prestes a abrir suas torneiras", define o banco Julius Baer.

Em relatório divulgado nesta segunda, a Agência Internacional de Petróleo (AIE) estimou que o consumo de petróleo pode cair até 730 mil barris por dia este ano, o maior recuo desde 2009, quando os efeitos da crise financeira ainda eram sentidos.

"A crise está aumentando as incertezas que a indústria global de petróleo enfrenta", avaliou o diretor executivo da instituição, Fatih Birol, no relatório de médio prazo para o mercado.

O Commerzbank chamou a sessão de hoje de "segunda-feira negra". O banco, no entanto, enxerga perspectivas um pouco melhores para o médio prazo. "O baixo nível dos preços significará que o fornecimento dos países fora da Opep, sobretudo com o xisto dos EUA, aumentará de forma menos acentuada, e a demanda crescerá de novo após o fim das consequências do coronavírus", destaca.

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