Christophe Viseux para o New York Times
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Petróleo cai 305% em NY e fecha o dia cotado abaixo de zero pela 1ª vez na história

Cotação de US$ 37,63 negativos se refere aos contratos que vencem nessa terça-feira, 21, e ignifica que fornecedores estão sendo pagos para ficar com o produto

Agências internacionais

20 de abril de 2020 | 13h10
Atualizado 22 de abril de 2020 | 20h04

Em um dia histórico, o preço do barril do petróleo fechou esta segunda-feira, 20, em forte queda. O óleo tipo WTI caiu 305,97%%, cotado abaixo de zero, a US$ 37,63 negativos em Nova York. É a primeira vez que  a commodity é negociada em terreno negativo. Isso significa que fornecedores estão sendo pagos para ficar com o produto. E embora o colapso se refira aos contratos para entrega em maio, que vencem na terça-feira, 21, ele mostra que há um excesso de estoques do produto por conta da brutal queda na demanda, e isso vai se refletir cada vez mais nos preços.

Os contratos para junho do óleo WTI ficaram cotados a cerca de US$ 20,43, o barril, uma queda de -18,40%. Já o óleo Brent, em Londres, também para entrega em junho, encerrou o dia em baixa de 8,94%, a US$ 25,57 o barril

No mundo todo, há sinais de falta de locais para armazenamento do produto. De acordo com a Reuters, há atualmente cerca de 160 milhões de barris armazenados em navios-tanque, um número recorde, bem acima dos 100 milhões de barris armazenados dessa forma no auge da crise financeira iniciada em 2008.

Os estoques de petróleo em Cushing - o principal centro de armazenamento nos EUA - aumentaram 48%, para quase 55 milhões de barris, desde o final de fevereiro. O hub tinha capacidade de armazenamento operacional de 76 milhões em 30 de setembro, segundo a Energy Information Administration.

Os negociantes no Texas chegam a oferecer US$ 2 pelo barril em algumas situações, aumentando a possibilidade de que os produtores, em breve, tenham até de pagar para que o petróleo seja retirado de suas mãos.

A China anunciou na sexta-feira, 17, sua primeira contração econômica em décadas, uma indicação do que está por vir em outras grandes economias que ainda precisam sair dos bloqueios provocados pelo coronavírus.

"Não há limite para o lado negativo dos preços quando os estoques e os oleodutos estão cheios”, disse Pierre Andurand, gerente de fundos de hedge de commodities, no Twitter. "Preços negativos são possíveis."

O colapso dos preços está repercutindo em toda a indústria de petróleo. Empresas de exploração reduziram em 13% a perfuração na semana passada. Mas, embora isso possa reduzir a produção, com as empresas diminuindo seus gastos, pode não ser suficiente. 

"A redução na exploração nos EUA está ganhando ritmo, mas não é rápida o suficiente para evitar o gargalo no armazenamento", disse Paul Horsnell, chefe de commodities da Standard Chartered.

Liquidação em massa é estratégia

O contrato futuro do petróleo WTI foi negociado abaixo de US$ 0 pela primeira vez na história, diante da iminência do vencimento do contrato para maio, que acontece amanhã. De acordo com analistas, a liquidação em massa ocorre para evitar entrega física do barril da commodity, em um contexto em que não há espaço para armazenamento.

Os mercados internacionais têm operado em meio a um descompasso entre oferta e demanda de petróleo, já que os cortes de produção anunciados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), cada vez mais, parecem insuficientes para compensar a queda na demanda, decorrência direta da retração da atividade global por conta do novo coronavírus.

A negociação no campo negativo, contudo, foi restrita ao contrato de maio, e, ainda que tenha colaborado para perdas em outros contratos, não se refletiu em cotações abaixo de US$ 0 nos contratos mais líquidos. "Há um pouco de exagero no que estamos vendo hoje", afirmou ao Estadão/Broadcast Ilan Solot, estrategista do Brown Brothers Harriman (BBH). "Mas isso não afasta a questão de que há uma oferta brutal [da commodity]", disse Solon. "Realmente é algo inédito, mas muito específico desse vencimento", completou Marcos de Callis, estrategista da Hieron, à reportagem.

 

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