''Petróleo terá reflexo no custo dos alimentos''

Segundo Mantega, impacto da alta será menor no Brasil

Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem que o aumento das cotações do barril de petróleo deve ter um impacto menor na inflação brasileira do que em outros países emergentes, como Rússia, Índia e China. Segundo ele, o impacto no Brasil será indireto. "O reflexo indireto se deve ao impacto, por exemplo, no custo dos alimentos", disse o ministro, lembrando que alguns derivados de petróleo são usados no setor agrícola. "O maior problema que nós temos no mundo hoje é a inflação de alimentos de commodities agrícolas, e também o custo de energia através do petróleo. Mas esse problema não é só do Brasil. É do mundo todo", argumentou. Mantega lembrou que o País tem auto-suficiência em petróleo e, por isso, "os preços dos combustíveis no Brasil não se movem de acordo com o preço internacional do barril de petróleo". Ele argumentou ainda que o Brasil é grande produtor das commodities cujos preços estão subindo. JUROSMantega não comentou a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom), que na semana passada elevou em 0,5 ponto porcentual a taxa básica de juros (Selic), para 11,75% ao ano. O Banco Central (BC) espera que a medida seja preventiva e contenha a alta da inflação. Embora elas sejam públicas, Mantega negou haver divergências entre a Fazenda e o BC. "Cada um faz o seu trabalho. O Banco Central cuida da parte da inflação e nós cuidamos da parte fiscal, que está indo muito bem", disse o ministro, que participou da solenidade de posse do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.De acordo com Mantega, por causa da política fiscal, o País está crescendo e se distinguindo dos outros países que estão em dificuldades. "Estamos satisfeitos." Ele garantiu que o contingenciamento no Orçamento de 2008, de R$ 19,4 bilhões, é suficiente para que o governo chegue até o fim deste ano executando o Orçamento e fazendo o superávit primário estabelecido (de 3,8% do PIB).O ministro disse também que a nova política industrial, que será anunciada no dia 12 de maio, no Rio, será importante para dar continuidade ao processo de investimentos no País e impulsionar as exportações. "A política industrial vem se somar a ao processo de aumento de investimentos e de crescimento econômico. Vamos continuar na rota do crescimento sustentável que temos trilhado nos últimos anos." Ele disse que a nova política não terá efeito direto na taxa de câmbio, mas reduzirá o custo dos investimentos e das exportações. A data de lançamento da política industrial foi fechada ontem em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e Mantega, além dos presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri. Jorge informou que ainda não foi fechado o valor das desonerações de impostos. Ele explicou que foram traçadas as linhas de redução de impostos e a mudança de alguns regulamentos, "mas o valor da desoneração ainda não está calculado". A nova política industrial vai beneficiar 24 setores.

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