Petróleo volta a subir com problemas na Yukos

A incerteza sobre o fornecimento de petróleo pela Yukos, maior produtora da Rússia, volta a abalar o mercado, motivando uma alta dos contratos futuros de petróleo. O Ministério da Justiça da Rússia rescindiu a permissão, dada um dia antes, para que a Yukos movimentasse suas contas que estavam congeladas, por conta da disputa com o governo sobre o pagamento de impostos atrasados pela empresa. A liberação dos recursos serviria para a empresa manter as operações de produção e transporte de petróleo.Autoridades da Justiça da Yukos afirmaram que revogaram a permissão porque ela não foi tomado como base na lei. "A proibição para a Yukos usar suas contas continua", disse o chefe de relações públicas do Ministério da Justiça, Boris Kalyagin. "Os oficiais de Justiça não permitiram que a Yukos fizesse quaisquer pagamentos dessas contas. O comunicado de ontem foi suspenso por contradizer as normas legais", completou. As autoridades tentam obrigar a Yukos a pagar US$ 3,4 bilhões em impostos devidos relacionados ao ano de 2000. No final da manhã de hoje, o contrato futuro do petróleo cru subia 1,33%, para US$ 43,40 o barril, após atingir a máxima de US$ 43,50 hoje, na Nymex. Na International Petroleum Exchange (IPE), o contrato do brent para setembro está em alta de 1,76%, negociado a US$ 40,40 o barril.Problemas na ofertaAnalistas consideram crucial que a Yukos mantenha a sua produção de quase 1,7 milhão de barris por dia, especialmente, diante do cenário de baixa capacidade de produção adicional por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Ontem, a Opep informou que tem uma capacidade ociosa para produzir entre 1 milhão e 1,5 milhão de barris por dia e que poderia usar essa margem, se houver alguma necessidade.Mas o mercado recebeu com ceticismo essa afirmação sobre capacidade ociosa. "É muito frustrante", disse um analista da Alaron Trading Corp, Phil Flynn, de seu escritório em Chicago. "Se perdermos o petróleo da Yukos, esgotaremos a única capacidade de produção adicional do mundo ", previu.A Opep fornece 40% do petróleo consumido no mundo e os países produtores de fora do grupo têm pouca capacidade ociosa para preencher eventuais lacunas. Com os preços elevados do petróleo, os países têm produzido no limite de suas capacidades, para engrossarem seus caixas e reservas.Problemas na demandaDo lado da demanda, ela está perto do pico dos últimos 25 anos, o que deixa o mercado vulnerável. Diante deste quadro e com as instabilidades da Yukos, os investidores aproveitavam a queda dos preços do petróleo ontem para voltarem às compras. Ontem, o petróleo cru cedeu 2,99% na New York Mercantile Exchange (Nymex) e o petróleo tipo brent, 2,31%.As informações são da Dow Jones.

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