Petrolíferas argentinas tentam contornar crise

Com a ameaça do presidente Néstor Kirchner de aumentar os impostos de exportação de petróleo, as empresas do setor de petróleo e derivados que atuam na Argentina parecem estar mais empenhadas em buscar soluções para ajudar a suavizar os efeitos da crise energética que promete aprofundar-se entre abril e setembro, período de maior consumo de gás e eletricidade por causa do frio. Nesta semana, as companhias tentarão definir quais são as alternativas para garantir o abastecimento de combustíveis líquidos que necessitarão as centrais térmicas para substituir o gás. Dessa forma, as empresas tentarão evitar que o governo cumpra a palavra de aumentar de 20% para 30% o imposto cobrado pelas exportações, uma ameaça feita um dia depois da resolução de racionamento de exportações de gás para o Chile, Brasil e Uruguai, na última sexta-feira. Uma fonte do setor disse à Agência Estado que o fim de semana foi "cheio de conversações" para tentar chegar à uma saída para a crise e Néstor Kirchner é alvo de duras críticas dos empresários. O executivo petroleiro reclamou: "O governo se exime de qualquer responsabilidade sobre a crise e tenta colocar sobre nossas costas, não só toda a culpa mas também o peso de sermos os únicos financiadores dos custos excedentes que as centrais térmicas terão para gerar eletricidade queimando combustível líquido ao invés de gás?. A dívida que a Cammesa, órgão regulador do setor, tem com as elétricas é da ordem de 400 milhões de pesos (2,90 pesos = US$ 1) e essa cifra seria duplicada se o financiamento das centrais térmicas partisse da administradora do mercado elétrico. Por detrás de toda essa polêmica de financiamento e da própria crise está a falta de reajuste de tarifas, as quais encontram-se congeladas desde janeiro de 2002, quando a economia foi pesificada e o peso desvalorizado. Um documento da Camesa afirma que se as tarifas não forem reajustadas e se não houver subsídios do governo, sua dívida subirá para 1,3 bilhão de pesos. A fonte petroleira afirma que, para evitar uma nova crise ainda mais forte no ano que vem, é preciso definir regras sobre as tarifas agora. "Precisamos ter regras claras sobre os preços a curto, médio e longo prazos", disse o executivo.

Agencia Estado,

29 Março 2004 | 11h44

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