Petrolíferas criticam modelo de concessão do pré-sal, diz 'FT'

Análise do jornal britânico aponta que governo poderia manter mais recursos sob o sistema da concessão

Daniela Milanese, da Agência Estado,

08 de setembro de 2009 | 09h43

A indústria de petróleo adverte que o plano do governo brasileiro para o pré-sal vai impedir investimentos, afirma hoje o Financial Times. O jornal britânico trata do debate sobre o novo modelo proposto para as descobertas nacionais, de partilha de produção, que substituirá a concessão nos novos contratos.

 

Veja também:

especialO novo marco regulatório do petróleo

especialO caminho até o pré-sal

especialMapa da exploração de petróleo e gás 

 

Conforme a publicação, dados da indústria mostram que o governo poderia manter mais recursos sob o sistema da concessão, simplesmente cobrando mais royalties.

 

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defende a escolha do governo. "O modelo (de partilha) é correto pela quantidade de petróleo que nós temos, pelo baixo risco exploratório e pelo alto nível de retorno", disse em entrevista ao FT. "Nós queremos manter uma parte maior das receitas do petróleo."

 

Um executivo de uma empresa internacional do setor afirmou ao jornal, na condição de anonimato, que o risco não é tão baixo, já que, dos 30 poços perfurados na região, três estavam secos e outros oito não continham depósitos viáveis comercialmente. Além disso, a perfuração da camada de sal pode trazer atrasos custosos. "Esse é um bom lugar para explorar e há muito petróleo", disse o executivo. "Mas não é risco zero."

 

Antônio Lemos, advogado do setor, levanta dúvidas sobre a participação de petroleiras internacionais como minoritárias nos consórcios - a Petrobrás terá fatia de pelo menos 30% em todos os blocos. "O sistema é mais atrativo para os fundos de pensão", afirmou o advogado.

 

Conforme Dilma, as companhias prefeririam naturalmente que não houvesse mudança, mas argumenta que o tamanho das reservas do pré-sal atrai investidores "sob qualquer regime". "A ideia de que as companhias de petróleo não irão investir...Eu não acredito nisso nem por um minuto", afirmou a ministra.

 

Ela também avalia que as empresas ganham com a transferência de tecnologia da Petrobrás. Mas, o executivo consultado pelo FT rejeita essa ideia. Apesar de admitir que a estatal brasileira é "boa no que faz", ele diz que a empresa "não tem todas as respostas".

 

Para Enrique Cera, da empresa de análise de energia IHS CERA, a Petrobrás vem investindo muito e sua capacidade de contrair mais dívida está reduzida.

Tudo o que sabemos sobre:
Financial Timespré-sal

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.