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Petros busca parceiros estrangeiros para investir

Fundo de pensão da Petrobrás espera anunciar ainda este ano parcerias para o pré-sal e projetos de infraestrutura

Mônica Ciarelli / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

A Petros, fundo de pensão dos empregados da Petrobrás, espera anunciar ainda este ano a primeira "dobradinha" com investidores estrangeiros em projetos de infraestrutura e do pré-sal. "Já temos algumas conversas na área de portos e aeroportos", revelou ao Estado o presidente da fundação, Luís Carlos Fernandes Afonso. "O interesse pelo pré-sal também é indiscutível."

Segundo ele, o fundo de pensão vem costurando essas parcerias, de olho no apoio financeiro que os estrangeiros podem dar na formatação de grandes projetos. "Há muito recurso lá fora e muito interesse em investir no País." Para Afonso, a própria necessidade do Brasil por maiores investimentos em infraestrutura estimula essa dobradinha.

"Serão necessárias equações financeiras mais complexas. Isso envolve a participação do BNDES, como papel de banco fomentador, do capital privado, mas, também a busca por dinheiro de fora." E completou: "Esse é o elo que está faltando".

Com R$ 55,6 bilhões sob gestão, a Petros, segundo o executivo, vem amadurecendo nos últimos anos na direção de parcerias com estrangeiros. Antes, lembra, os fundos de pensão se ancoravam na rentabilidade oferecida pelas altas taxas de juros e, por isso, não precisavam buscar outros tipos de investimentos. "Temos de nos acostumar que, agora, bater meta atuarial vai ser feito com muito suor", disse. Em 2010, a Petros registrou um superávit de R$ 3,871 bilhões, com rentabilidade de 16,65% em seus investimentos, acima dos 11,92% exigidos pela meta atuarial.

Segundo ele, a migração de parte dos investimentos em renda fixa para projetos mais arriscados, que ofereçam uma rentabilidade maior, é uma tendência na Petros. Entretanto, o executivo alerta que o movimento será feito com cuidado. "Isso não se faz do dia para a noite. Costumo dizer que somos um transatlântico, por isso, temos de fazer esse movimento com toda a cautela e segurança que um grande investidor precisa ter", explicou.

Projetos. O presidente revelou que a fundação deve investir entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão no financiamento da cadeia produtiva de petróleo e gás entre 2010 e 2011. Só em um fundo que será criado para viabilizar a construção de sondas para a Petrobrás, serão aproximadamente R$ 500 milhões. Mas ele conta que o apetite por projetos nessa área é grande e deve motivar outros investimentos de peso. "A nossa avaliação é de que esse número é só o começo."

Em infraestrutura, o foco é ampliar aporte de recursos em logística, área onde a Petros já tem participação acionária na ALL e na Log-in. Segundo Afonso, essa é uma área com grande potencial de crescimento e que ainda é importante para dar suporte a outros segmentos, onde o fundo de pensão tem investimentos, como o agronegócio.

"É um segmento que deve dar bons resultados. É um investimento de médio e longo prazo. Estamos olhando, já fizemos alguns movimentos e temos interesse em fazer mais", afirmou.

O veículo para que a Petros reforce sua presença em logística será a Invepar, empresa onde divide o controle com a Previ e a Funcef. Afonso lembra que a companhia tem um leque enorme de oportunidade a sua frente com o crescimento da economia brasileira. Outro ponto favorável são as obras que serão necessárias para que o país possa sediar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. "Há um campo enorme. Com portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Na Invepar, já temos atuado mais fortemente em concessões de rodovias."

O executivo confirmou que um IPO da empresa continua no radar dos acionistas controladores. "Esse é o caminho de qualquer empresa que quer se tornar grande", afirmou. Uma oferta de ações, observou, é uma via importante para captar recursos e melhorar a qualidade da governança corporativa. Para a Petros, que é um investidor institucional, disse, a busca pelo mercado de capitais é sempre uma forma interessante, pela liquidez que oferece. Entretanto, diz, a Invepar ainda tem fôlego suficiente para bancar seus projetos. "Temos de encontrar o melhor momento", explicou.

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