Petros e Previ definem nomes para compor novo conselho da BRF

Os fundos de pensão, que possuem 22% da dona da Sadia, querem destituir o atual, que é liderado pelo empresário Abilio Diniz, e eleger um novo colegiado em assembleia extraordinária

Mônica Scaramuzzo e Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

03 Março 2018 | 16h50

Os fundos de pensão da Petrobrás (Petros) e do Banco do Brasil (Previ) enviaram à BRF neste sábado (3) a lista com os nomes dos executivos que serão indicados para compor o novo conselho de administração da companhia, dona das marcas Sadia e Perdigão. Os dois fundos solicitaram, em correspondência enviada à empresa na semana passada, a realização de uma assembleia geral extraordinária para destituir o atual colegiado, que é comandado pelo empresário Abilio Diniz e tem mandato válido até 2019.

Para o lugar de Abilio na presidência do conselho, os fundos das duas estatais, que possuém 22% da BRF, querem Augusto Marques da Cruz Filho, ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar e atual presidente do conselho de administração da BR Distribuidora.

Representantes dos fundos no atual colegiado, o advogado Francisco Petros e o diretor do Banco do Brasil Walter Malieni, foram mantidos na chapa. Petros foi indicado para a vice-presidência.

A família fundadora da Sadia, que tinha dois assentos no conselho, ficou com apenas um lugar , com a indicação do ex-ministro Luiz Fernando Furlan - Walter Fontana, que também era membro do colegiado, ficou de fora. 

Entre os dez conselheiros indicados, está Roberto Funari, vice-presidente da Reckitt Benckiser. Os fundos de pensão querem trazê-lo para a companhia desde o ano passado. Apoiavam seu nome para a presidência-executiva da companhia, segundo apurou o Estado com duas fontes a par do processo. Abilio, porém, conseguiu impor o nome de José Aurélio Drummond para o comando da companhia - numa votação disputada e decidida pelo “voto de minerva” do empresário.

Funari trabalhou na Unilever, na Parlamalat Brasil e na Imperial Tobacco. Está há muitos anos no exterior e, desde 2013. como vice-presidente da Reckitt, que é dona de marcas como Veja, Vanish e Naldecon.

Composição. Completam a lista dos fundos: Guilherme Afonso Ferreira, dono da gestora Teorema e conselheiro da Petrobras; José Luiz Osório, sócio da Jardim Botânico Investimentos; Roberto Antônio Mendes, diretor de finanças da Localiza; Dan Ioschpe, presidente do conselho de administração da Ioschpe-Maxion; e Vasco Dias Júnior, ex-presidente da Raízen Energia.

Caso os fundos consigam eleger a chapa, Abilio e seus aliados deixarão o conselho da BRF. Nesse cenário, além do empresário, sairão: Flávia Almeida, que é sócia de Abilio na Península, e José Carlos Magalhães, sócio da Tarpon; e ainda Marcos Grasso e o próprio José Drummond - o atual presidente da BRF era conselheiro antes de ser eleito e seguiu no colegiado.

Com 7,5% da BRF, a Tarpon foi responsável por levar Abilio à empresa e tem histórico de votar junto com o empresário nas decisões da BRF.

Para a Aberdeen, gestora britânica que detém 5% da BRF, a escolha de novos membros mostra o comprometimento de Petros e Previ com um conselho com postura mais independente. “Há um consenso sobre os problemas de governança na BRF”, afirmou ao Estado Peter Taylor, diretor-geral de equities da Aberdeen.

Segundo ele, a empresa tem marcas fortes e capacidade de recuperar sua participação de mercado. Ele acredita que uma maior independência entre o conselho e a diretoria-executiva também deve permear a nova gestão.

Aberdeen foi o primeiro investidor a verbalizar apoio ao pleito dos fundos de pensão de promover mudanças na BRF. O movimento para sacar Abilio do colegiado e renovar o grupo ocorreu após a companhia de alimentos anunciar que teve prejuízo de mais de R$ 1 bilhão em 2017 - a empresa vinha de um prejuízo inédito em 2016, de quase R$ 400 milhões.

O presidente da Previ, Gueitiro Genso, afirmou que o fundo é um investidor de longo prazo e não um “operador”, por isso, deseja que as companhias investidas tenham “sustentabilidade no longo prazo”.  

“Entendemos que isso só se consegue praticando de fato uma boa governança aliada a uma estratégia bem definida. Nosso papel como acionista é propor e apoiar um Conselho que possa levar em frente esses propósitos”, disse, em nota enviada ao Estado.

Para a Petros, é responsabilidade do fundo agir nesse momento para fortalecer a governança da empresa. “No cumprimento deste dever, apresentamos um grupo experiente e com competências complementares, o qual deverá, com total independência, imprimir novos rumos e viabilizar a recuperação da BRF, superando os grandes desafios que a empresa precisa enfrentar”, afirmou Daniel Lima, diretor de Investimentos da Petros, em nota divulgada ao mercado.

Próximos passos. Na próxima segunda, dia 5, haverá reunião do conselho de administração, na qual será avaliado o pedido dos fundos de realização da assembleia extraordinária. Os nomes apresentados pelos fundos também serão discutidos.

Ainda não está claro, porém, qual será o caminho escolhido por Abilio - se irá tentar compor com os fundos de alguma forma ou partir para a disputa. O empresário tem 4% da empresa por meio da Península Participações, veículo de investimento de sua família. A Tarpon, que tem 7,5% da BRF, já indicou que está disposta a negociar com Previ e Petros.

Procurados, BRF, Tarpon e o empresário Abilio Diniz não retornaram.

 

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