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Petros quer estender critérios ESG a seu portfólio de investimentos

Fundo de pensão da Petrobrás não quer cair na armadilha do 'greenwashing', que acontece quando uma companhia investe em marketing verde, mas não tem nenhuma ação concreta na área

Mariana Durão e Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2020 | 11h00

RIO - Após focar na sua reestruturação, a Petros quer se voltar à pauta ambiental, social e de governança (ESG). À frente do fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás há um ano, Bruno Dias afirma que a fundação não fará greenwashing (marketing verde, mas sem práticas concretas). O fundo seguirá "implacável" na agenda de investigações e busca de reparação de danos decorrentes de desvios apurados na esteira da Operação Lava Jato.

Com um patrimônio de R$ 108,4 bilhões, a Petros faz parte de um seleto grupo de investidores institucionais com poder para influenciar as decisões das companhias investidas. Na carteira atual estão empresas como Vale, BRF, Norte Energia e Invepar. "A Petros não vai fazer greenwashing. A pauta ESG e de diversidade vai ganhar cada vez mais força", disse ao Estadão/Broadcast.

Dias adianta que a Petros não vai seguir a linha da “exclusão” – limar empresas da carteira -, mas do "engajamento estratégico", cobrando práticas e metas de sustentabilidade.

Hoje o fundo já avalia riscos dessa agenda na renda variável (ações), mas quer estender isso a todo o portfólio.

Ressarcimento

A Petros, segundo Dias, seguirá “implacável” na busca pelo ressarcimento de danos a seu patrimônio. Para deixar no passado as denúncias de fraude, contratou a consultoria Deloitte para reestruturar suas práticas de governança e a Gran Thornton para liderar investigações independentes.

"A partir disso já concluímos 13 investigações internas, mais do que todo o histórico da Petros”, conta. O fundo ingressou com quatro ações de responsabilidade civil e pediu para atuar como assistente em outras cinco ações de improbidade do Ministério Público Federal.

Só em 2020 a Petros foi ressarcida em R$ 1 bilhão, dos quais R$ 950 milhões pagos pela Petrobrás para encerrar o litígio relacionado a perdas com investimentos na Sete Brasil. Um dos embates em curso é a arbitragem em que Petros e Previ (Banco do Brasil) pedem indenização da estatal pelo tombo de suas ações, após denúncias de fraudes em relatórios.

Assim como seus pares, a Petros sofreu com o impacto da pandemia no mercado de capitais. Chegou a amargar uma rentabilidade negativa de 14,20% em março, em boa parte já recuperada (-1,9% em agosto). A queda da Bolsa freou a compra de ações e o fundo aproveitou as taxas atrativas para comprar títulos do Tesouro que casam bem com seu passivo. Com a consolidação dos juros baixos e redução da incerteza, a ideia será perseguir a diversificação, incluindo investir no exterior.

Dias entende que hoje não há um novo equacionamento no horizonte. Após intensa negociação com os 142.527 participantes, a Petros aprovou este ano seu novo Plano de Equacionamento de Déficit (PED), para sanar o rombo de quase R$ 40 bi originado em 2015 e 2018. O presidente da Petros diz que o objetivo agora é perseguir superávits sólidos para, aos poucos, reduzir as contribuições extraordinárias cobradas dos participantes e da Petrobrás.

Infraestrutura

Apesar do revés enfrentado na Linha Amarela (Lamsa), Dias afirma que a Petros continua interessada em investir no setor de infraestrutura, importante para fundos de pensão por ter um prazo de maturação maior. "Tenho bastante confiança de que vamos conseguir reverter isso na Justiça. Vai ser importante para a segurança jurídica do setor", alerta.

A Petros é uma das principais acionistas da Invepar, controladora da Lamsa. Na semana passada o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de liminar da concessionária para retomar a gestão e cobrança do pedágio da via expressa, encampada pelo município do Rio de Janeiro. Sem a operação, a companhia vem sofrendo por não ter caixa para pagar suas dívidas. Uma eventual derrocada da Lamsa pode resvalar na Petros e nos outros fundos de pensão donos da Invepar, a Previ e a Funcef.

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