Petros vai participar da capitalização da Petrobrás

Fundo de pensão dos empregados da estatal também estuda entrar na licitação do trem-bala

Sabrina Valle / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

O Fundo de Pensão dos funcionários da Petrobrás (Petros) pode e quer participar da capitalização da estatal, segundo afirmou à Agência Estado o diretor de investimentos do fundo de pensão estatal, Luís Afonso.

Mas Afonso diz que o interesse do fundo não para aí: a Petros também está avaliando investimentos em projetos ligados à cadeia produtiva do pré-sal, inclusive a possibilidade de virar sócio de empresas que construirão as 28 sondas encomendadas pela Petrobrás e cujo processo licitatório termina neste mês. As encomendas têm um custo total avaliado em US$ 22 bilhões.

"Temos interesse na capitalização, estamos concretamente desenvolvendo parcerias para aproveitar os investimentos que surgiram com o pré-sal, desde sondas, navios, estaleiros, portos", disse. "As sondas, por exemplo, estamos estudando. Estamos fazendo um trabalho para avaliar entrar como sócios das empresas que vão construí-las."

Uma das possibilidades estudadas pela Petros para as sondas seria usar o modelo de Fundos de Investimento em Participações (FIPs) que a organização já utiliza em investimentos de infraestrutura, transporte e energia. Luís Afonso não informou os valores dos possíveis aportes para as sondas e para o processo de capitalização, o que ainda depende dos estudos.

No entanto, nesse último caso, o diretor lembrou que o fundo tem um limite legal de 10% dos recursos de cada plano de benefícios para investir numa mesma companhia, como a Petrobrás. Hoje, esse porcentual está em 2,8%. No total, a Petros tem 0,40% de participação na Petrobrás, com R$ 1,3 bilhão em ações da empresa. "Temos espaço dentro do limite legal para isso (participar da capitalização) e temos interesse de fazê-lo", afirmou.

Afonso explicou que os investimentos em infraestrutura fazem parte de um movimento para aumentar o portfólio em renda variável, em detrimento da participação da renda fixa, como os títulos do Tesouro que tem na carteira - uma tendência que ele considera natural diante do cenário de redução de juros no país.

De dezembro de 2003 a março de 2010, a parcela dos investimentos em renda fixa na carteira da Petros caiu de 71% para 61%. No mesmo período, a carteira de renda variável (nessa conta entram investimentos o da Petrobrás) pulou de 20,5% para 28,6%.

Ele afirma que a Petros pretende aumentar sua participação em empresas como acionista e via FIPs. Um exemplo desse movimento é o investimento de R$ 650 milhões na Hidrelétrica de Belo Monte, projeto no qual a Petros entrou com um consórcio.

Outro projeto na mira do fundo é o trem-bala. O fundo mantém conversas com potenciais investidores e vai usar a expertise acumulada com a Invepar (empresa de transportes e logísticas da qual participa com outros fundos de pensão e a construtora OAS) para avaliar o projeto.

Oportunidade

LUÍS AFONSO DIRETOR DE INVESTIMENTOS

DO PETROS

"Temos interesse na capitalização, estamos concretamente desenvolvendo parcerias para aproveitar os investimentos que surgiram com o pré-sal,

desde sondas, navios, estaleiros, portos."

"As sondas, por exemplo, estamos estudando. Estamos fazendo um trabalho para avaliar entrar como sócios das empresas que vão construí-las."

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