WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Petz mira expansão no Nordeste, Centro-Oeste e Norte com novo centro de distribuição

Especializada em produtos para animais de estimação, rede investe no primeiro centro de distribuição fora de São Paulo, em Hidrolândia (GO),para avançar nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2022 | 11h00

Em março deste ano, pela primeira vez na história da Petz, varejista líder de mercado de produtos para animais de estimação, as vendas das lojas instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste responderam por mais da metade do faturamento total da rede. Elas superaram a participação dos pontos de venda no Estado de São Paulo que, até então, era o principal mercado da companhia.

Esse foi o sinal verde para que a varejista investisse no primeiro centro de distribuição (CD) fora do território paulista, a fim de apoiar o plano de expansão para outras regiões do País. Neste ano serão abertas 50 lojas, uma marca recorde. Deste total, dois terços dos pontos de venda serão inaugurados em mercados onde a varejista não está e o restante em praças do Sudeste, nas quais tem forte presença.

“As lojas abertas nos últimos anos fora do Estado de São Paulo ainda vão maturar e se tornar mais representativas na pizza do das vendas totais”, afirma a vice-presidente financeira, Aline Penna. Hoje a varejista tem 185 lojas físicas, das quais 54% no Estado de São Paulo. Dois anos atrás, 65% dos pontos eram paulistas.

O CD, que vai sustentar a etapa de expansão nacional da Petz e tem como alvo cidades com mais de 100 mil habitantes, começa a funcionar na segunda quinzena deste mês, no município de Hidrolândia, na Região Metropolitana de Goiânia (GO). Com de 8,5 mil metros quadrados de área, é bem menor que os outros da companhia: um em Embu (SP), com 35 mil metros quadrados, e outro em Mauá (SP), de 13 mil metros quadrados.

No galpão alugado dentro de um condomínio logístico e que comporta expansões, a varejista investiu R$ 6 milhões para colocar o novo CD em operação. “É menos do que é gasto para abrir uma loja”, diz o vice-presidente de digital e supply chain, Marcelo Maia.

Modelo Carrefour

Egresso do Carrefour, o executivo compara a chegada das lojas da Petz no Norte, Nordeste e Centro-Oeste ao movimento que a rede francesa provocava em meados do anos 1970, quando inaugurava um hipermercado no País. Na época, a loja virava um ponto turístico e atraía milhares de consumidores, porque não havia nada parecido no varejo. "Quando você abre uma loja da Petz nas cidades dessas regiões, cria-se a oferta e a demanda vem”, completa Aline.

Localizado estrategicamente na região central do País, o CD vai permitir redução de 25% no tempo de viagem de um mês das mercadorias, que hoje saem de São Paulo para Manaus (AM). Também vai cortar pela metade uma semana de estrada de uma carreta de São Paulo até o Nordeste. Nas contas de Aline, os caminhões vão rodar 260 mil quilômetros a menos por ano. Isso se reflete na menor emissão de gás carbônico, menor consumo de óleo diesel, um dos vilões da alta de custos.

Outro ponto é que essa base de distribuição deve dar mais rapidez às entregas do comércio online que responde por 30% das vendas da companhia, observa Maia. O grupo fechou o primeiro trimestre deste ano com faturamento bruto total de R$ 746,6 milhões, um avanço de 38,9% ante igual período de 2021.

As lojas da companhia funcionam com mini depósitos que abastecem o comércio online. Maia diz que a maior rapidez nas entregas vai possibilitar um volume menor de estoque nas lojas, reduzindo o risco de aplicação de recursos em mercadorias paradas nas prateleiras.

Também facilita a abertura de pontos de venda menores, o que aumenta a capilaridade da varejista. Hoje uma loja padrão da rede tem entre 700 e 1.000 metros quadrados. Mas ele vê espaço para pontos de vendas mais compactos, especialmente neste momento no qual a companhia pretende estrear em novos mercados.

O que a Petz está fazendo é jogar o osso lá na frente para o cachorrinho, a empresa, correr”, brinca o consultor de varejo Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. Ele diz que quanto mais a empresa acelerar a expansão nacional da rede de lojas, ela vai capturar o valor dessas novas oportunidades de mercado oferecidas fora do Estado de São Paulo.

 O consultor destaca que o mercado de produtos para animais de estimação tem se mostrado muito resiliente a crises e que hoje há relativamente poucos concorrentes com alta competência para explorar as novas oportunidades. Ele não considera que a expansão para fora do Estado de São Paulo indique  que o mercado paulista esteja saturado.

O corrida para ser  o primeiro a chegar num mercado fora do Estado de São Paulo, segundo os executivos da Petz,  dá uma vantagem competitiva muito grande em relação à concorrência,  como a Cobasi, que é a empresa pioneira nesse setor com formato de megalojas e iniciou as operações em 1984. “Quando chego antes da concorrência numa região, crio o mercado, gero a fidelização e pego os melhores pontos comerciais”, explica Aline.

Quando houve a nacionalização no setor de hipermercados no final dos anos 1990, Maia lembra que foi exatamente esse movimento que aconteceu. A rede portuguesa Sonae comprou o Big no Sul, a americana Walmart adquiriu o Bompreço no Nordeste e quando Carrefour tentou entrar nessas praças teve uma dificuldade enorme porque os concorrentes já estavam lá. “No varejo, ser o primeiro a chegar é muito importante”, afirma o executivo, que aprendeu com as lições do Carrefour.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.