Peugeot Citroën afasta 650 funcionários

Com agravamento da crise na Argentina e queda nas vendas, montadora suspende temporariamente contratos de trabalho no Rio

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2014 | 02h09

O grupo PSA Peugeot Citroën reduziu a produção de veículos em Porto Real (RJ) em 28% e colocou em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) 650 funcionários de um dos três turnos que operam na fábrica. Queda de exportações para a Argentina, redução das vendas internas e problemas cambiais levaram a empresa a cortar cerca de 180 carros da programação diária.

Desde segunda-feira, a empresa opera com dois turnos e passou a produzir 450 automóveis por dia, ante 630 anteriormente. O lay-off terá duração de dois a cinco meses. Se não houver reação do mercado até lá, uma nova turma será dispensada após a volta desse grupo.

"Estamos fazendo de tudo para segurar o pessoal e não há planos de demissão", informa um porta-voz da companhia francesa. Os funcionários dispensados, de um total de 3 mil que atuam na área produtiva, passarão por cursos de qualificação.

A dispensa ocorreu após acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense. No período em que estiverem fora da fábrica, os funcionários receberão o equivalente aos seus salários em forma de Bolsa Qualificação, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e desembolsos da própria empresa.

Argentina. A PSA Peugeot Citröen exporta 40% de sua produção, quase a totalidade para a Argentina. Por causa da crise naquele país, e a decisão do governo local de reduzir as importações de veículos em 27% neste ano, a montadora calcula perdas de 20% a 30% nas vendas externas.

Além disso, enfrenta sérios problemas no mercado interno. Enquanto as vendas totais de automóveis e comerciais leves caíram 1,5% em 2013, a comercialização de modelos Peugeot e Citroën caiu 16,1%, para 123,6 mil unidades.

Em janeiro, o quadro continuou desfavorável para as duas marcas, que registraram redução de 2,5% nos negócios em relação ao mesmo mês do ano passado, num mercado que cresceu 1%. A PSA produz os modelos Peugeot 208, 207, 207 Passion e Hoggar e os Citroën C3, Aircross e C3 Picasso.

O grupo também cita como fator desfavorável à produção o "forte impacto da variação cambial desfavorável (em relação ao euro), penalizando o desempenho econômico da PSA no País".

A PSA tem um programa de investimento de R$ 3,7 bilhões no Brasil para o período de 2010 a 2015. No ano passado, ampliou sua capacidade de 150 mil para 220 mil veículos ao ano.

Contratações. Na segunda-feira, a Volkswagen também decidiu colocar 300 funcionários da fábrica de São José dos Pinhais (PR) em lay-off, sendo 150 agora e 150 daqui a três meses, quando o primeiro grupo deve retornar. A unidade emprega 2,4 mil pessoas na produção.

A empresa informou que passa por período de transição (prepara a fábrica para a produção do novo Golf e de modelos Audi) e vai realizar paradas técnicas em razão da baixa demanda de mercado. "Implementaremos diversas medidas de flexibilidade para administração do efetivo da fábrica."

Atualmente, a Volkswagen produz na unidade os modelos da linha Fox. O Golf antigo saiu de linha no fim de 2013.

Já a Ford anunciou esta semana quase 200 contratações para voltar a produzir em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a linha de caminhões leves da Série F.

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