Peugeot Citroën anuncia investimento de R$ 1,4 bilhão no Brasil até 2012

Peugeot Citroën anuncia investimento de R$ 1,4 bilhão no Brasil até 2012

Participação. Com os investimentos, grupo francês pretende elevar a capacidade de produção da fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, dos atuais 160 mil para 220 mil automóveis por ano. Meta é sair da participação de mercado atual de 5% para 10%

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

Embalada pelo otimismo da indústria automobilística no Brasil, a PSA Peugeot Citroën decidiu investir R$ 1,4 bilhão no País até 2012. O anúncio foi feito ontem pelo presidente mundial do grupo francês, Philippe Varin, que está em visita ao Brasil. Segundo ele, o alvo principal dos recursos é o desenvolvimento de novos modelos na fábrica da companhia em Porto Real, no Sul Fluminense, para ganhar mercado no País.

A rápida recuperação do setor automotivo brasileiro em 2009, com as medidas fiscais e de expansão de crédito para combater os efeitos da crise mundial, animaram a companhia a voltar a apostar no Brasil, admitiu Varin. Não foi assim no auge do abalo global, no final de 2008, quando a empresa demitiu 250 funcionários na fábrica do interior do Rio - meses depois da criação do terceiro turno na fábrica - e reduziu a produção num ano de aquecimento das vendas, com a redução do IPI dos automóveis.

O grupo vendeu 151,2 mil veículos no ano passado, um crescimento modesto de 0,1% em relação a 2008, com queda de 1% na marca Peugeot e alta de 1,5% na Citroën. A participação de mercado do grupo recuou de 5,7%, em 2008, para 5%. Varin classificou essa fatia de "não suficiente" e decretou "uma nova etapa" das atividades no Brasil.

Quer, pelo menos, conquistar 10% do mercado, mas não fixou prazo: "Em 2010, queremos dar um passo significativo." Para tanto, a companhia vai dividir igualmente os recursos anunciados para os próximos três anos entre a fábrica de veículos e a de motores da planta de Porto Real, podendo elevar a atual capacidade de 160 mil automóveis por ano para 220 mil. Em fevereiro a empresa voltou a contratar e incorporou 700 novos empregados para reativar o terceiro turno de produção.

O executivo anunciou o novo plano de investimentos ao lado do governador Sérgio Cabral (PMDB), em cerimônia no Palácio Laranjeiras. O governador comemorou a perspectiva de geração de mais empregos no Sul Fluminense, que também tem a fábrica de caminhões da MAN.

A PSA Peugeot Citroën é a quinta maior montadora em operação no Brasil, mas foi a última das grandes multinacionais a chegar ao País.

Varin lembrou que a empresa investiu mais de US$ 1 bilhão no Brasil em dez anos e aprendeu muito com a operação. Portanto, acredita, está preparada para aproveitar as oportunidades que o mercado brasileiro sinaliza, ainda mais com a recuperação lenta da economia nos países centrais. O executivo disse acreditar que o mercado brasileiro deverá crescer entre 5% e 10% em 2010.

Produtos específicos. Para aproveitar o bom momento, a companhia continuará a fabricar modelos mundiais, com potencial de exportação, mas passa também a apostar em produtos específicos para os brasileiros. É o caso da picape compacta Hoggar, da Peugeot, que será lançada em maio. Foi desenvolvida no Brasil, num esforço de engenharia e design iniciado há três anos, exclusivamente para o mercado nacional. Um novo carro da Citroën deve ser lançado no segundo semestre.

"No ano passado, tivemos uma situação muito contrastante. O mercado brasileiro cresceu, o argentino recuou. Na China, cresceu 50%. Nos Estados Unidos, caiu 20%, e, na Europa, 5%. Este ano, prevemos o Brasil em alta, com crescimento de 5% a 10%, muito significativo na comparação com outros países", afirmou Varin.

Na América Latina, cujas atividades do grupo são dirigidas do Brasil, ele também prevê recuperação no mercado argentino. "As operações na América Latina não foram rentáveis em 2009. Os investimentos que já fizemos, como a volta do terceiro turno, devem garantir a volta da lucratividade", afirmou.

No panorama mundial, Varin aposta num crescimento mais moderado da China, em torno de 20%, e de uma retomada do crescimento nos EUA. Já para a Europa, o executivo espera mais um ano de queda, de até 9%. Ele evitou falar sobre movimentos de consolidação entre montadoras, mas observou que os exemplos de operações transcontinentais demonstram a necessidade das empresas de "se tornarem cada vez mais globais".

O executivo explicou que a empresa ainda estuda uma forma de entrar no mercado popular brasileiro, mas, por enquanto, vai se manter no segmento mais sofisticado - mesmo com os novos modelos em planejamento.

Varin chegou à direção mundial da PSA no ano passado, em meio às dificuldades do setor automotivo mundial diante da crise mundial. Ele já dirigiu o grupo siderúrgico anglo-holandês Corus, cuja reestruturação conduzida por ele culminou na venda para a Tata Steel.

FICHA TÉCNICA

Grupo francês está no Brasil desde o início da década

Fábrica Porto Real (RJ)

Início da operação no País 2001

Capacidade 160 mil carros de produção por ano

Produção (2009) 111 mil carros

Início da produção de motores 2002

Motores produzidos em 2009 152 mil

Funcionários 4,5 mil no Brasil (na fábrica, 2,9 mil)

Demissões (2008) 250

Contratações (2010) 700

Investimentos projetados

até 2012 R$ 1,4 bilhão

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