Fábio Motta|Estadão
Fábio Motta|Estadão

Pezão diz que vai pedir prisão de invasores da Alerj

Sobre o pacote de medidas anunciado na semana passada, governador do Rio afirmou não ter 'plano B'

Rafael Moraes Moura e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2016 | 20h59

BRASÍLIA - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), disse nesta terça-feira, 8, que a invasão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) é um "caso de polícia". Pezão afirmou à imprensa que vai pedir ao secretário de segurança, Roberto Sá, e às polícias Militar e Civil que prendam os invasores e adotem as "medidas mais duras possíveis" contra os manifestantes que ocuparam o edifício. 

A Alerj foi invadida por volta das 14h20 desta terça-feira por servidores públicos da área de segurança que protestaram contra o pacote de medidas anticrise do governo fluminense, que inclui a elevação da contribuição previdenciária de servidores ativos, inativos e pensionistas. Pezão reforçou que não há "plano B" para reequilibrar as contas do Estado.

"Isso é caso de polícia, invadir um parlamento nem na ditadura. Acuar os deputados é lamentável", disse Pezão, que se reuniu com 15 governadores e a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, para tratar da destinação aos cofres estaduais de receitas obtidas com a repatriação.

"Eu pedi ao secretário de Segurança, ao chefe da Polícia Militar e da Polícia Civil que prendam, façam as medidas mais duras possíveis contra essas pessoas que invadiram o Parlamento", comentou Pezão.

Plano B. Para Pezão, as medidas propostas pelo governo são "necessárias" para ajudar o Estado a sair da crise. "Estamos cortando na carne, não tem plano B. Estamos mostrando que, se não votarmos e não aprovarmos essas medidas, nós só teremos condições de pagar no ano que vem sete folhas (de pagamento de servidores)", disse Pezão. 

Questionado se acreditava na aprovação das medidas, Pezão respondeu: "Acredito que sim. Eu aceito sugestões. Nós ouvimos os melhores especialistas do País. Estamos colocando essas medidas para serem debatidas e discutidas dentro do Parlamento."

Contribuição. Apesar da decisão da Justiça do Rio de suspender a tramitação de um projeto que prevê a mudança da alíquota de contribuição previdenciária dos servidores, Pezão afirmou que vai aceitar a "contribuição dos poderes".

"Não vamos suspender a tramitação do projeto. Eu acho que não vamos suspender a tramitação, nós aceitamos a contribuição dos poderes, são pessoas que têm ótimos técnicos, podem dar sugestões, agora a gente precisa que os poderes paguem pelos seus aposentados, paguem as contribuições para Previdência", ressaltou.

O governador do Rio disse ser difícil pedir ajuda do governo federal, já que a União está com "bilhões de déficit". "A União tem seus limites, tá um ano difícil. O que a União tem e a gente não tem é medida provisória e banco para emitir dinheiro. Nós não temos", disse Pezão.

Em um exercício de autocrítica, o governador afirmou que se teve erro de gestão, "vamos apurar, vamos ver, vamos consertar". "Não é trivial o que a gente está vivenciando", concluiu Pezão. 

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