MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Pezão quer avaliação imparcial para Cedae

Expectativa do governo do Rio é conseguir mais de R$ 3,5 bi com operação de venda

Idiana Tomazelli e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 21h23

BRASÍLIA - O Estado do Rio de Janeiro pretende contratar uma instituição para avaliar de forma independente quanto valem as ações da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), informou nesta quinta-feira, 20, o governador Luiz Fernando Pezão. A ideia em estudo pelo governo federal é que a Cedae seja comprada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e privatizada posteriormente. A expectativa do governo fluminense é obter mais de R$ 3,5 bilhões com a operação.

O governo federal, no entanto, fala em um preço “que viabilizasse lucro” no momento em que o BNDES revender a Cedae à iniciativa privada. Isso pressupõe um preço menor agora, para que depois esse ágio seja dividido entre o banco de fomento e o governo estadual.

Pezão esteve nesta quinta com o presidente Michel Temer e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para discutir a crise na segurança do Estado. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se juntou à conversa depois para debater detalhes do plano de recuperação fiscal do Rio. A pasta não apresenta resistências à proposta de compra da Cedae pelo BNDES, que injetaria recursos de forma mais rápida nos cofres fluminenses. O Rio conta com esse dinheiro para pôr em dia o salário de servidores.

Transação. Na próxima segunda-feira, Pezão se reúne com o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, e com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, para definir como se dará a transação. “Não tem nada definido”, disse. Segundo o governador, ainda é preciso verificar “que tipo de operação” o BNDES pode fazer para a compra da companhia de saneamento. Embora o governo tenha dado sinal verde às negociações, a área técnica da Fazenda faz ressalvas diante do grande risco envolvido.

A opção da compra direta da Cedae pelo banco de fomento é considerada “mais ágil” para o Estado. Até então, o BNDES vinha atuando apenas como estruturador da operação de privatização da Cedae, e a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) havia autorizado o Executivo a contratar empréstimo de até R$ 3,5 bilhões para antecipar parte dos recursos a serem obtidos com a venda.

Em troca, o governo fluminense se comprometia a usar o dinheiro para quitar o financiamento quando a operação fosse concretizada. Só que o empréstimo ainda demoraria 60 dias após a assinatura do plano – que ainda não tem data para ocorrer e depende de um decreto a ser assinado por Temer.

Pezão negou que o desinteresse de instituições financeiras em conceder o empréstimo tenha sido um dos fatores que pesaram para a negociação da venda direta ao BNDES. “Não é verdade que os bancos não estão interessados. Banco do Brasil e Caixa não podem participar, nem o BNDES pode dar empréstimo, porque (os recursos) não podem ser recursos para custeio. Mas BB e Caixa estavam superinteressados nessa operação de garantia.”

A expectativa do governo fluminense é regularizar o pagamento dos servidores em agosto. O Estado deve salários dos meses de maio e junho e ainda não pagou o 13.º salário de 2016. Há também um passivo bilionário com fornecedores, o que tem comprometido a prestação de serviços, principalmente nas áreas de saúde e segurança. “A gente espera atualizar esses pagamentos em agosto”, disse Pezão.

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