PF apresenta documentos que levaram à prisão de suíço

Polícia reuniu documentos comprovando transações irregulares, além de provas encontradas no hotel

Rodrigo Pereira, de O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2008 | 20h43

Para efetuar a prisão do suíço Christian Peter Weiss, um alto funcionário do Banco Credit Suisse, na manhã desta quarta-feira, 23, no Rio de Janeiro, a Polícia Federal reuniu documentos comprovando transações financeira irregulares, além de provas encontradas no quarto de hotel de Weiss.   Veja também: PF prende funcionário do Credit Suisse no Rio PF apreende passaportes de gerentes de banco suíço em SP PF interroga clientes do escritório do Credit Suisse   Entre os materiais reunidos como provas pela PF estavam os documentos comprovando as transações irregulares, sem registro no Banco Central e assinadas por Weiss e pelos clientes brasileiros, e papéis picados escritos à mão com instruções de como proceder se fosse preso, encontrados no lixo do quarto de hotel usado pelo suíço. Além disso, havia matérias sobre a prisão de executivos suíços nas outras operações da PF que tinham o Credit como alvo.   Para a procuradora da República Karen Jeanette Kahn, a conduta indica "uma prática reincidente" do banco suíço e seus agentes enviados, "sendo o investigado, no mínimo, o nono ou décimo representante do Credit Suisse que, de forma destemida e já prevenido das ações policiais brasileiras, transita pelo País, munido de toda a estrutura documental e tecnológica necessária à consumação da referida prática delitiva."   Negócio lucrativo   Esta foi a terceira vez nos últimos dois anos que um funcionário estrangeiro da instituição foi preso no País pela Polícia Federal, acusado de remeter grandes quantias de endinheirados brasileiros para contas numeradas na Suíça sonegando impostos. O esquema é usado pelo menos desde 1997, e em três anos provocou prejuízo estimado em mais de R$ 1 bilhão ao Fisco.   Weiss foi monitorado desde sua chegada ao País, há cerca de 15 dias. Nesse período, encontrou-se com clientes no Rio, em São Paulo e no interior do Estado. Para enviar dinheiro ao banco ocultando as remessas, utilizaria bancos de países vizinhos, principalmente do Uruguai. Weiss viajaria hoje de volta à Suíça.   A investigação contou com escutas telefônicas e gravação de imagens e voz de todo o período que o suíço esteve no Brasil. Até microfones foram instalados nos quartos de hotel onde ele se hospedou, com autorização expedida pela Justiça Federal. A medida foi tomada para seguir todos seus passos e produzir provas. Ele tinha instruções expressas do alto comando do banco na Suíça de destruir toda documentação das transações assim que fossem concluídas - os papéis foram recuperados pela polícia.   Todos os encontros de Weiss foram realizados nos hotéis, locais públicos ou escolhidos pelo cliente. Desde o dia 17, a PF tinha a ordem de prisão preventiva contra Weiss, cumprida ontem. O suíço será indiciado por evasão de divisas, funcionamento de instituição financeira sem autorização do BC e lavagem de dinheiro - as penas podem somar mais de 20 anos de prisão. Segundo o delegado, agora a PF, a Receita Federal e o BC vão fazer uma devassa nas "centenas de clientes brasileiros" que se valeram do esquema. Eles podem ser indiciados pelos mesmos crimes.   Posição do banco   Em comunicado oficial, o Credit Suisse afirmou "que sempre pontuou suas operações dentro dos mais rigorosos princípios legais e éticos" e "seu escritório de representação no Brasil atua de forma legal e de acordo com a legislação nacional". Por fim, esclarece que "seu escritório de representação e o Banco de Investimentos Credit Suisse Brasil e suas subsidiárias são independentes e não relacionados."   "Essa nova prisão mostra que, apesar da atuação da Polícia Federal, há reincidência do Credit Suisse, eles continuam a atuar ilegalmente no País. Vale ressaltar o desrespeito dessa instituição com as autoridades brasileiras", disse o delegado Ricardo Andrade Saadi, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da PF em São Paulo e responsável por outras quatro operações contra bancos suíços e doleiros brasileiros. "Atuam como organização criminosa", definiu o delegado.

Tudo o que sabemos sobre:
Operação SuíçaCredit Suisse

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.