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PF busca dinheiro do Panamericano

Polícia Federal vasculhou 10 endereços residenciais e comerciais de 8 dirigentes do banco em busca de documentos sobre a fraude

Fausto Macedo, Patrícia Cançado e Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

A Polícia Federal vasculhou ontem 10 endereços residenciais e comerciais de 8 dirigentes e ex-administradores do Banco Panamericano em São Paulo, Guarujá e Belo Horizonte no rastro de documentos sobre supostas fraudes na instituição. A PF recolheu papéis e fez espelhamento de memórias de computadores.

Os federais querem identificar o destino de recursos que teriam sido desviados por meio de operações ilícitas no banco. A suspeita é que esse dinheiro foi remetido para fora do País por meio de offshore. "Onde foi parar esse dinheiro? Essa é a grande questão", observou um investigador.

A operação foi desencadeada por ordem do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6.ª Vara Criminal Federal, que acolheu requerimento formal da Delegacia de Combate a Crimes Financeiros da PF, responsável pelo inquérito sobre o Panamericano.

Os federais pediram ordem para a inspeção domiciliar e em escritórios depois da análise de relatório do Banco Central que esmiúça a participação de cada diretor do banco em transações que podem caracterizar violação à Lei 7492/86, que trata dos crimes contra o sistema financeiro.

A PF informou que os principais crimes investigados são gestão fraudulenta, indução de investidor em erro, inserção de elemento falso em demonstrativos contábeis, quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. As penas somadas podem chegar a 37 anos de cadeia.

Alvos. O BC entregou a auditoria à PF por determinação expressa do juiz De Sanctis - ele deu prazo de 72 horas para que o documento chegasse à Polícia Federal. A ordem ao BC foi dada há duas semanas, logo que o magistrado retornou de um encontro da Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro, em Florianópolis.

São oito os alvos das buscas: Rafael Palladino, ex-presidente do Panamericano; Wilson Roberto de Aro, ex-diretor financeiro; Adalberto Savioli, diretor de crédito; Eduardo de Ávila Pinto Coelho, diretor de tecnologia da informação; Luís Sebastião Sandoval, presidente do Conselho de Administração; Marco Antônio Pereira da Silva, chefe do departamento de contabilidade e responsável pelas demonstrações financeiras; Cláudio Sauda Baracat, da área de controladoria, contabilidade geral, fiscal, security office, orçamentos e planejamento; e Marcos Augusto Monteiro, responsável pela gestão das carteiras de crédito cedidas.

Na residência de Palladino, a chegada da PF provocou confusão. Ele reside em cobertura no Itaim. Quando os agentes da PF entraram no edifício, seguranças chamaram a Polícia Militar com medo de assaltantes disfarçados - prática que tem assustado moradores de condomínios de luxo. Depois de quase cinco horas, os policiais saíram com papéis em uma pasta transparente.

A PF queria verificar endereços de outros investigados. O juiz não consentiu porque não quer estender a operação a funcionários do banco que não têm participação em transações suspeitas.

O contador Marco Antônio depôs à PF durante a tarde. Os federais reputam "muito importante" seu relato. "Acredita-se que ainda possam ser encontrados indícios dos crimes financeiros apontados pelo BC, provas da autoria e, também, documentos que levem ao rastreamento da quantia bilionária supostamente desviada do banco", aponta a PF, em nota.

A PF não pediu prisão de nenhum investigado e nem busca na residência do empresário Silvio Santos, dono do Panamericano, porque não identificou nada que o ligasse à administração da instituição.

O criminalista Celso Vilardi, advogado de Palladino, disse que a busca da PF foi uma ação desnecessária. "Meu cliente colocou-se à disposição e se a polícia quisesse algum documento era só pedir. Se ele tivesse, entregaria." Wilson de Aro, ex-vice financeiro do banco, não quis se manifestar.

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