PF descarta roubo comum no caso de dados da Petrobras

Segundo diretor-geral da Polícia Federal, bandidos deixaram outros computadores no contêiner

Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo,

19 de fevereiro de 2008 | 11h23

O diretor-geral da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Valdino Jacinto Caetano, afirmou nesta terça-feira, 19, que a hipótese de roubo comum praticamente caiu por terra nas investigações sobre o roubo de informações importantes da Petrobras. Segundo ele, os bandidos deixaram outros computadores no contêiner, o que reforça a tese de espionagem industrial.  Veja também:Caso Petrobras tem provas apagadasPara Tarso, é desnecessária CPI sobre caso Petrobras O furto de quatro notebooks, dois discos rígidos e dois pentes de memória, que  continham informações estratégicas da estatal, foi notado em 31 de janeiro, mas só começou a ser investigado vários dias depois. O delegado não soube informar qual o conteúdo das informações, nem de qual plataforma elas saíram. Ele disse apenas que a carga deixou uma sonda na bacia de Santos no dia 18 de janeiro, chegando no mesmo dia ao terminal Poliportos, no Rio.  No dia 25, o contêiner deixou o terminal com destino a Macaé, onde chegou no dia 30 de janeiro. Caetano também não soube explicar o porquê de o transporte até Macaé ter demorado tanto tempo, quando uma viagem de carro no mesmo percurso leva em torno de três horas. Um outro fato que reforça a tese de espionagem industrial, é que a Petrobras havia relatado um caso semelhante há um ano. Na época, a empresa avaliou que informações não tinham tanta importância, e por isso, o caso foi investigado pela Polícia Civil. Segundo o delegado, os responsáveis pela investigação atual pedirão detalhes sobre este incidente. Caetano defendeu a atuação da PF no caso, que foi bastante criticada devido à lentidão no processo de abertura do inquérito. Segundo ele, a superintendência da PF foi avisada do furto no dia 1 de fevereiro. "No sábado de Carnaval enviamos um perito à Macaé para fazer o seu laudo", Ele contou que no primeiro dia útil após o Carnaval a superintendência mandou uma ordem para que a regional de Macaé abrisse o inquérito, o que foi feito no dia seguinte, dia 7. Segurança O superintendente voltou a criticar o sistema de segurança da Petrobras, a exemplo de nota divulgada na segunda-feira pelo Ministério da Justiça. Segundo ele, o transporte da carga não tinha os anteparos necessários de segurança, além de permitir o acesso a um número grande de pessoas. "Se fosse para proteger apenas o escritório, o sistema seria ideal, mas para transportar informações estratégicas é falho", disse. Há informações de que o mesmo cadeado para trancar o container poderia ser aberto por uma senha idêntica a de outros cadeados. Ainda segundo delegado, a cena do crime foi modificada por funcionários das empresas, provavelmente por falta de conhecimento sobre como funciona uma perícia policial. "Isso nos tira uma ferramenta que poderia nos ajudar nas investigações, mas não impede que tenhamos um laudo do que foi encontrado no local", afirmou. Ele disse que a PF ouviu nove pessoas envolvidas no transporte da carga até o momento, e ainda pretende ouvir mais 15. Os investigadores estão tentando refazer o trajeto para identificar em que ponto ocorreu o furto. A delegada responsável pelo cargo, Carolina Dolinsk recebe a partir desta terça o apoio de um agente da diretoria de inteligência policial da sede da PF em Brasília. "Ele vai ficar em contato com a delegada e acompanhar integralmente o caso" , informou o delegado, que defendeu a experiência de Carolina para conduzir o cargo. Ele não soube dizer o praz para o término das investigações. "As investigações estão no começo e neste caso e um caso como esse tem hora para começar e não para acabar", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
PetrobrasFurto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.