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PF indicia os 40 presos na Operação Persona

Quadrilha é acusade de sonegar R$ 1,5 bi; crimes vão de sonegação à corrupção e formação de quadrilha

Vannildo Mendes, do Estadão,

17 de outubro de 2007 | 20h12

A Polícia Federal e o Ministério Público tomaram nesta quarta-feira, 17, os depoimentos dos 40 presos por envolvimento com a quadrilha, desmantelada pela operação Persona, acusada de ter sonegado R$ 1,5 bilhão em impostos, nos últimos cinco anos, com um esquema fraudulento de importações. Todos foram indiciados em crimes que vão de sonegação de tributos a corrupção (ativa e passiva), falsidade ideológica, evasão de divisas e formação de quadrilha. Com prisão temporária decretada pela Justiça Federal em São Paulo, outros quatro membros da quadrilha estão sendo procurados. O presidente da Cisco do Brasil, subsidiária da multinacional americana Cisco System Inc, Pedro Ripper e o ex-presidente, Carlos Roberto Carnevali, usaram o direito constitucional de não produzir prova contra si e se não responderam às perguntas, alegando que só falarão em juízo. Responsável pela introdução da Cisco no Brasil, Carnevali passou mal na hora da prisão, na terça-feira, e teve de ser atendido num hospital perto de sua residência. Depois de medicado, recebeu voz de prisão e foi levado para uma cela na carceragem da PF em São Paulo. A Cisco é apontada no inquérito policial como pivô e principal beneficiária das fraudes na importação de seus produtos de alta tecnologia para grandes redes corporativas no Brasil. Por orientação da empresa, outros dois executivos presos também ficaram em silêncio. Mas outros membros da quadrilha, entre eles seis auditores fiscais da Receita Federal, confirmaram o esquema. Nos próximos dias, a perícia e a inteligência da PF vão se debruçar sobre a montanha de papéis, computadores, CDs, livros contábeis e documentos apreendidos em 93 mandados de buscas. O material, que ocupa 60 metros quadrados de uma sala na Superintendência da PF, está sendo selecionado e catalogado para análise, que será cruzada com os depoimentos e outras provas produzidas. À medida que vão sendo levantados, os dados estão sendo repassados à polícia fazendária dos Estados Unidos, onde as investigações prosseguem para o total desmantelamento da quadrilha. Segundo a PF, além dos 44 com mandado de prisão expedido, ainda devem ser presos nos próximos dias mais cinco brasileiros que vivem nos EUA e executivos americanos ligados ao esquema. Nessa segunda fase, a Receita Federal também vai investigar até que ponto os clientes da Cisco, que compravam redes e serviços de informática muito abaixo do custo de mercado, estariam envolvidos. O esquema desarticulado na operação Persona consistia em estabelecer, nas operações de importação, uma cadeia fraudulenta de empresas de fachada entre a multinacional americana e o cliente final no Brasil. Entre os presos estão 17 executivos e funcionários da Mude Comércio e Serviço, intermediária nas operações fraudulentas, inclusive o sócio-presidente da empresa, Moacir Álvaro Sampaio. As empresas de fachada têm nos quadros societários off-shores, localizadas em paraísos fiscais como Panamá, Bahamas e Ilhas Virgens Britânicas, além de ‘laranjas", pessoas físicas ou jurídicas cooptadas. A Cisco é líder mundial no segmento de serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas, para internet e para telecomunicações. Nos últimos cinco anos o grupo teria importado equipamentos, de forma fraudulenta, avaliados em cerca de US$ 500 milhões. O volume mensal era de cerca de 50 toneladas de mercadorias.

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