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PF investiga cartel de refrigeração

Em operação simultânea no Brasil, EUA e UE, federais revistaram a Whirlpool, que controla Consul e Brastemp

Bruno Tavares, Fausto Macedo e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

18 de fevereiro de 2009 | 00h00

Uma operação internacional uniu a Polícia Federal (PF) e autoridades americanas e europeias para investigar a suposta formação de cartel mundial na fabricação e venda de compressores para refrigeração. Pela primeira vez, em um caso de suspeita de crime contra a ordem econômica, mandados de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente no Brasil, nos Estados Unidos, na Itália e na Dinamarca nas empresas investigadas. No Brasil, a Operação Zero Grau foi coordenada de dentro da sede da Superintendência da PF em São Paulo pelo delegado William Morad, chefe da Divisão de Polícia Fazendária do órgão.Morad dividiu a tarefa com integrantes da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e com integrantes do Grupo de Atuação Especial e Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec) do Ministério Público Estadual (MPE). Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Brasil em São Paulo, em São Carlos (SP) e em Joinville (SC). Nos EUA, agentes do FBI, a polícia federal americana, revistaram a sede de uma das empresas enquanto fiscais da União Europeia fizeram o mesmo na Itália e na Dinamarca. A ação foi considerada um sucesso.Entre os alvos dos federais está a Whirlpool S.A., que controla as marcas Consul e Brastemp, cuja sede na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, no Brooklin, na zona sul de São Paulo, foi revistada por cerca de 20 agentes. Foram ainda vasculhadas empresas do setor em São Carlos e Joinville. Funcionários e representantes das empresas investigadas foram levados à sede da PF em São Paulo, onde prestaram esclarecimentos até as 22 horas.O delegado Morad veio especialmente de Brasília para supervisionar a operação. Na sede de Whirlpoll S.A., os agentes apreenderam documentos e computadores. Os federais levaram ainda laptops e arquivos para a sede da superintendência. O suposto cartel funcionaria há 12 anos, segundo o inquérito. A investigação que envolve o mercado de compressores de refrigeração nasceu de um inquérito da PF aberto na delegacia de Araraquara (SP). Os federais informaram à SDE sobre o inquérito e também o Gedec, pois durante a apuração teria ficado claro que, em tese, o delito supostamente cometido contra a ordem econômica seria de competência da Justiça estadual, motivo pelo qual a PF pediu à Justiça em São Carlos (SP) a expedição dos mandados de busca e apreensão. A PF, os promotores e os técnicos da SDE não quiseram se manifestar sobre a operação.Procurada, a Assessoria de Imprensa da Whirlpool S.A. informou, por meio de nota, que "foi notificada hoje (ontem) pelas autoridades de defesa da concorrência no Brasil, Itália e Estados Unidos sobre uma investigação relativa à indústria mundial de compressores". A companhia diz que "vai cooperar com as investigações".A empresa, que é a única no Brasil que fabrica todos os produtos da linha branca - de freezers a fornos de micro-ondas -, é subsidiária da Whirlpool Corporation, a maior fabricante mundial de eletrodomésticos. Ela foi formada por meio da reorganização societária da Multibrás S.A. Eletrodomésticos e da Empresa Brasileira de Compressores S.A (Embraco), ocorrida em maio de 2006. Segundo o site da empresa, a unidade de eletrodomésticos e a unidade Embraco de Compressores e Soluções de Refrigeração continuam "a operar de forma independente mantendo suas especificidades e peculiaridades".

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