PF investiga conexões de empresas ligadas a Batista

A Operação Ararath, que investiga crimes financeiros no Mato Grosso, identificou que o empresário Wesley Mendonça Batista, presidente da JBS, empresa que detém a marca Friboi no Brasil, tem ligações com empresas rastreadas nas investigações, a Global Participações Empresariais e a Confiança Participações Empresariais.

O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2014 | 04h01

Elas estão interligadas por membros da família de Fernando Mendonça França, que é um dos principais investigados. Segundo o relatório técnico a que o Estado teve acesso, a rede que reúne essas empresas é tão intrincada que a PF concluiu ser preciso ampliar as investigações sobre elas.

Para apurar os crimes identificados na Ararath, que envolve lavagem de dinheiro, fraudes, desvio de recursos públicos, corrupção, entre outros, a Polícia Federal já abriu dez inquéritos. Pelo menos 59 pessoas estão sob investigação. Entre os que foram indiciados está o ex-secretário estadual de Fazenda, Éder de Moraes Dias, que também foi responsável pelas obras da Copa no Mato Grosso até ser exonerado do cargo.

Ligações. A Global Participações Empresariais está no epicentro das investigações que envolvem lavagem de dinheiro. Além dos milhões que passaram pela empresa, o que chamou a atenção dos investigadores da PF foram as suas origens.

Na época de sua fundação, a Global tinha duas empresas americanas como sócias - Elany Tranding LLC e Avel Group LLC, situadas no mesmo endereço em Nevada, onde as leis fiscais são mais flexíveis. Segundo o inquérito, as duas foram criadas na mesma data, 13 de janeiro de 2005, com o mesmo representante legal, uma empresa de nome MF Corporate Service, sob a gerência de Camille Services, S.A, uma empresa sediada no Panamá, paraíso fiscal na América Central.

Outro detalhe que chamou a atenção da PF: Elany Tranding LLC e Avel Group LLL foram registradas no Brasil, respectivamente, em janeiro e fevereiro de 2006. Essas datas são próximas a da abertura da Global, que ocorreu em 9 de março daquele ano.

De acordo com a investigação, Wesley Batista constou como administrador e procurador da Global desde a sua fundação até dezembro de 2008. Nesse meio tempo, a empresa ganhou outros sócios no Brasil, entre eles, Fernando Mendonça, sua filha Ariane Mendonça e Raquel Souza de Mendonça, que é casada com Leonardo Rodrigues Mendonça, primo e ex-sócio de Fernando. À medida que os Mendonças foram entrando, as empresas americanas se retiraram da Global. Nas gravações da Polícia Federal, Fernando é identificado como primo dos Batistas. A JBS não respondeu se há grau de parentesco.

A Confiança Participações Empresariais, por sua vez, chamou a atenção da PF por suas conexões com a Global e a família Mendonça. A Confiança foi criada na mesma data da Global - 9 de março de 2006. Tem entre sócios Raquel e Leonardo. Também teve as americanas Elany e Avel como sócias até abril de 2008.

"Assim como observado na Global, Wesley Batista participou da vida empresarial da Confiança desde a sua fundação, sendo que pesquisas verificaram vínculo com este estabelecimento como procurador", diz o documento.

Mais dados. Por causa da rede de conexões, a PF entende ser necessário buscar mais informações a respeito das empresas Elany Trading, Avel Group, sócias da Global e da Confiança. "Conforme demonstrado neste relatório existem indícios de uso destas firmas estrangeiras para internalização de recursos advindos de remessas ilegais ao exterior", diz o documento.

A assessoria de imprensa da JBS informou que não conseguiu localizar Wesley Batista e que o departamento jurídico da companhia não tem registro de que tenham sido comunicados de que o presidente da empresa consta do inquérito. A reportagem tentou contato por telefone com Fernando Mendonça, mas não conseguiu ser atendida. A assessoria de imprensa da Polícia Federal do Mato Grosso não deu retorno. / A.S. e J.G.

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