Joedson Alves/Estadão
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PF investiga doleiros em concessões

A suspeita é que Alberto Youssef e Fayed Antoine Traboulsi sejam ligados aos grupos da Usina de Três Irmãos e do Aeroporto de Viracopos

RICARDO BRANDT , FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2014 | 02h01

A Polícia Federal investiga suposta participação societária e movimentações financeiras dos doleiros Alberto Youssef e Fayed Antoine Traboulsi nos consórcios vencedores de dois dos maiores leilões de concessão do governo Dilma Rousseff (PT) nas áreas de energia e transporte: o da Usina Hidrelétrica de Três Irmãos e do Aeroporto Internacional de Viracopos.

A suspeita surgiu a partir da coleta de dados da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção por doleiros na Petrobrás. Apesar de não serem alvos da apuração, os contratos de Viracopos e Três Irmãos apareceram entre os documentos apreendidos e chamaram a atenção dos policiais. Por determinação do juiz federal Sérgio Moro, em ofício de 30 de julho, novos inquéritos serão abertos para apurar especificamente as concessões.

O juiz aceitou ainda pedido do Ministério Público Federal para que a Comissão de Valores Mobiliários tenha acesso a todos os dados das sociedades anônimas de capital aberto nos casos relacionados à Lava Jato para averiguar a eventual participação dos doleiros.

"Há indícios de prática de peculato (desvio de recursos públicos) no âmbito de sociedade anônima de capital aberto, a qual se encontra sob supervisão da CVM", escreveu o procurador Daltan Dellagnol no parecer justificando a participação da CVM nas investigações.

O suposto elo entre os doleiros - presos nas operações Lava Jato e Miqueias - são dois ex-ministros, o ex-secretário Nacional do Tesouro e o ex-diretor da Conab no governo Collor (1990-1992): Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos, o PP (Assuntos Estratégicos), João Santana (Infra Estrutura), Roberto Guimarães (SNT) e João Mauro Boschiero (Conab).

"Há ligações societárias entre as empresas controladas por 'PP' e a empresa Aeroporto Brasil Viracopos S.A. Um dos sócios de PP, Roberto Figueiredo Guimarães é sócio da empresa ganhadora da concessão", registram os agentes da PF.

Roberto Guimarães é cunhado de PP e atual diretor financeiro da Concessionária Brasil Viracopos. Por nota, ele negou ser sócio de PP.

Não é a primeira vez que Guimarães é investigado pela PF. Ele foi preso em 2007 por suposto envolvimento com a Gautama, empresa de Zuleido Veras, na Operação Navalha.

Além do cunhado, PP tem relações estreitas, segundo os agentes da PF, com o presidente do conselho de administração da Brasil Viracopos, João Santana - ex-colega de primeiro escalão no governo Collor.

Santana é diretor da Constran/UTC, empresa que formou o consórcio Brasil Viracopos S.A. com outros dois grupos e a Infraero.

A PF já havia apontado que a UTC, controlada pelo empresário Ricardo Pessoa, tinha negócios com Youssef. O grupo nega.

Segundo a PF, documentos apreendidos na empresa Arbor Consultoria e Assessoria Contábil, da ex-contadora de Youssef, Meire Poza, são provas materiais da sociedade entre a UTC e o doleiro.

A UTC e a GFD Investimentos Ltda - firma usada pelo doleiro Youssef para lavagem de dinheiro e pagamento de propina a políticos, segundo a PF - foram sócias na compra de um terreno em Lauro de Freitas (BA), em 2010, no valor de R$ 5,3 milhões

Oficialmente, a compra do terreno foi feita pela UTC Participações, segundo registro no 11.º Ofício de Notas de Salvador, representada pelo empresário Ricardo Pessoa.

Contratos de gaveta e trocas de e-mails entre a UTC e a GFD mostram que Youssef não só era sócio da empresa como pagou 50% do negócio.

A PF já tinha elementos para apontar a ligação de PP com Fayed e Youssef. Agora, tenta provar que seu grupo participou dos contratos de concessão de Viracopos - assinado em fevereiro de 2012, por R$ 3,8 bilhões - e de Três Irmãos. Criador do fundo GPI Investimentos, PP formou com cinco empresas ligadas a ele o Fundo Constantinopla, que venceu, junto com a estatal Furnas, o leilão da Usina de Três Irmãos, este ano.

Após a participação de PP no fundo vir a público, e provocar polêmica, a Triunfo adquiriu todas as cotas da sociedade com a estatal. A Triunfo substituiu as empresas de PP como controladora do consórcio controlador de Três Irmãos.

Um capítulo específico sobre os negócios de PP na Lava Jato apontam a necessidade de investigações mais aprofundadas de suas relações com os doleiros nas concessões federais.

Policiais querem saber agora se a aquisição do Fundo Constantinopla pela Triunfo não foi um negócio entre "sócios". A compradora é majoritária do Consórcio Brasil Viracopos, ao lado da UTC/Constran.

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