PF investiga se Chevron perfurou 500 metros além do permitido

A Polícia Federal investiga se a petroleira Chevron perfurou além do que estava previsto na área de Frade, na bacia de Campos, onde um vazamento de petróleo ocorre há pelo menos oito dias.

SABRINA LORENZI, REUTERS

17 de novembro de 2011 | 19h52

"Parece que eles avançaram 500 metros além do que deveriam", disse à Reuters o delegado Fábio Scliar, chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF.

A informação, segundo o delegado, foi dada a policiais que visitaram o local por um funcionário da própria empresa, ligado às atividades de perfuração.

O delegado afirma que a empresa não tem informado com clareza o que realmente acontece no local do vazamento.

"Depois da perfuração deles, abriu-se uma trinca no fundo do mar e essa trinca tem mais de 300 metros de extensão".

O delegado se queixa da falta de informação sobre o que está sendo feito para fechar a fenda, de onde está vazando o petróleo.

Em comunicado, a Chevron informou que está cimentando o poço, reiterando que abandonará as atividades de busca por petróleo no local.

A ANP, órgão regulador brasileiro, por sua vez, informou no fim da tarde desta quinta-feira que a primeira etapa da cimentação foi realizada com sucesso.

A empresa diz que a mancha de óleo sobre o local equivale a um volume de cerca de 65 barris. Já a ANP informara um volume estimado entre 220 e 330 barris por dia de vazamento.

A Chevron, segundo o delegado, contratou uma empresa especializada em fechar buracos no fundo do mar.

SEM PREVISÃO DE FECHAR

"O especialista diz que não há previsão para fechar o vazamento da trinca e eu acredito piamente nele porque diante de uma trinca de mais de 300 metros no fundo do mar a mais de 1,2 mil metros de profundidade, ele vai dizer: amanhã eu fecho?!", questionou o delegado.

Na segunda-feira, a Chevron admitiu que as atividades de perfuração na região podem ter provocado a fenda de onde o petróleo está vazando, após reportagem da Reuters.

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar possível negligência da Chevron no tratamento do vazamento.

Em resposta à ação da Polícia Federal, a petroleira norte-americana disse que "continua informando e cooperando integralmente com as agências do governo brasileiro como parte de sua resposta ao incidente".

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