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PF não descarta espionagem industrial no furto da Petrobras

Computadores e discos rígidos armazenavam dados importantes de pesquisas realizadas na costa brasileira

Agência Estado,

14 de fevereiro de 2008 | 18h22

Segue sem solução o mistério do furto de informações confidenciais da Petrobras. A empresa informou nesta quinta-feira, 14, que sofreu um furto de computadores que armazenavam dados importantes de pesquisas realizadas na costa brasileira. As informações estariam em quatro notebooks e dois discos rígidos. A empresa disse que tem cópia das informações roubadas e, em nota, disse ainda que "o assunto está sob investigação".  O furto, segundo a empresa, ocorreu no dia 1º de fevereiro, quando o equipamento era transportado de um contêiner da multinacional Halliburton para a base de operações da estatal em Macaé (RJ). De acordo com a Polícia Federa, a Transmagno fazia o transporte. Ou seja, quando foi roubado, o material não estava sob a guarda da Petrobras, mas da empresa que "presta serviços especializados para a companhia".  A estatal não confirmou comentários que circularam na mídia nesta quinta-feira de que os computadores continham informações sigilosas sobre as reservas de petróleo e gás na camada ultraprofunda chamada de pré-sal, onde está o megacampo de petróleo de Tupi, na Bacia de Santos. Não foram fornecidos detalhes sobre o tipo de informação contida nos equipamentos. Mas uma fonte especializada no setor disse que os dados contidos nos dois discos rígidos e quatro notebooks devem estar relacionados à tecnologia de perfuração no pré-sal e também ao real potencial de exploração dos campos de Tupi e Carioca, podendo conter detalhes sobre reservas provadas. As informações podem ser úteis para balizar o potencial de blocos próximos, que serão licitados em rodadas da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP). Por esse mecanismo, as empresas disputam a concessão de blocos para exploração de petróleo.  A camada pré-sal, que se estende por 800 quilômetros ao longo da costa brasileira, é foco de forte interesse no setor de petróleo desde que a Petrobras confirmou reservas recuperáveis de 5 bilhões a 8 bilhões de barris no campo ultraprofundo de Tupi. O diretor de Exploração e Produção da empresa, Guilherme Estrella, afirmou recentemente que não há mais risco exploratório na região pré-sal, ou seja, é praticamente certo que todo poço perfurado encontrará petróleo ou gás. "Este tipo de espionagem é bastante comum, e agora que as reservas do Brasil começaram a ficar importantes, isso deve se popularizar por aqui também", comentou o geólogo Giuseppe Bacoccolli, professor da UFRJ. Ele lembrou que fora do País, é comum revistas especializadas trazerem ofertas de dados geológicos não oficiais sobre áreas potenciais de petróleo. Esses relatórios custam no mercado entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão. "Estes dados podem ter sido obtidos de maneira lícita ou ilícita. Como é que vai se saber", disse. Mesmo aqui no País, o professor, que já trabalhou por 24 anos na Petrobras, disse ter ocorrido outros casos semelhantes, mas em pequena escala. "Já houve caso de funcionário ser demitido por ter sido pego copiando dados para outra empresa", comentou. Especificamente sobre os dados roubados, os especialistas são unânimes em afirmar que certamente interessariam a qualquer empresa do setor, já que a Petrobras divulgou poucas informações sobre o assunto. Os especialistas discordam, porém, da possibilidade de o responsável pelo roubo ter sido uma grande companhia de petróleo. "Dificilmente uma grande empresa se arriscaria por isso. Mais fácil ter sido uma dessas empresas especializadas em espionagem", comentou Bacoccolli. Polícia A Polícia Federal considera "todas as hipóteses" e não descarta que o roubo esteja relacionado a assuntos de espionagem industrial, com possível participação de empresas estrangeiras. Avisada do caso pela estatal, a PF abriu inquérito no dia 7 de fevereiro e realizou perícia no container. O caso colocou em evidência a necessidade de o Brasil criar uma legislação específica para combater de crimes de espionagem industrial. "O Brasil precisa de uma legislação sobre tema, como existe nos Estados Unidos", comentou o secretário-executivo da Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva (Abraic), Romeu Marcial. Segundo o especialista, as empresas brasileiras pouco se preocupam com o tema espionagem industrial. O especialista contou que a Petrobras é uma das poucas empresas no País que se preocupa com o tema, tanto que a estatal possui uma área específica de Inteligência Competitiva, cuja função é proteger as informações estratégicas. Apesar da preocupação, Marcial disse que o erro da companhia foi ter repassado a responsabilidade sobre a segurança de dados importantes a respeito das recentes descobertas no pré-sal para uma outra empresa. "Terceirizar é um perigo. Esse serviço deveria ter sido executado pela própria Petrobras", comentou o especialista. Investigação No Brasil, a questão da espionagem industrial é uma das tarefas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Para tanto, o órgão criou o Programa Nacional de Proteção ao Conhecimento (PNPC), com objetivo de estabelecer uma mentalidade de proteção às informações estratégicas do País. "Pelas próprias incertezas que existem sobre a Abin, esse projeto teve pouca aceitação entre as instituições, diminuindo sua eficácia", explicou Marcial. No caso da Petrobras, a Agência informou que está acompanhando as investigações. A Agência acionou seu setor de contra-espionagem e vem fazendo levantamento de dados em cooperação com a Petrobras e com a Polícia Federal, que abriu inquérito na sua delegacia em Macaé para a investigação criminal do caso. A Abin não tem elementos para avaliar se a Petrobras foi negligente ao confiar o transporte de informações estratégicas a uma multinacional. A estatal, conforme analisa um agente da Abin, construiu seu invejável poder graças ao rigor na segurança com que guarda informações estratégicas. O campo de Tupi, por exemplo, era conhecido e estudado pela empresa há mais de um ano e a informação nunca havia vazado.

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