PF pede quebra de sigilos de dirigentes da Parmalat

A Polícia Federal pediu à Justiça a quebra do sigilo bancário e fiscal de todos os dirigentes da Parmalat no Brasil e de suas subsidiárias. Apesar de estar apenas no início das investigações, as autoridades descobriram diversas ramificações dentro da empresa no País, o que levou a PF a dividir o inquérito aberto há duas semanas."As atividades da Parmalat brasileira estavam diluídas de diversas formas. Ou seja, os dirigentes atuavam em diversas frentes", afirma um delegado envolvido na apuração de supostas fraudes da empresa no Brasil.Depois de ter ouvido o presidente da Parmalat brasileira, Ricardo Gonçalves, a PF começará a interrogar os executivos da empresa e cruzará as informações colhidas com o depoimento prestado na Itália pelo contador Gianfranco Bocchi, que afirmou às autoridades locais que a matriz desviava dinheiro para o Brasil. Os clubes de futebol que foram patrocinados pela Parmalat serão alvos da investigação.Além de Palmeiras e do Juventude de Caxias do Sul (RS), a PF vai verificar se o Paulista de Jundiaí, que chegou a ser comprado por uma das empresas do grupo, recebeu recursos ilegalmente. "Com o decorrer das investigações e a quebra de sigilo, se houve dinheiro ilegal nos clubes, isso aparecerá", disse a fonte.Com o sigilo bancário e fiscal da Parmalat, suas subsidiárias e seus dirigentes, a PF quer montar o fluxo de movimentação financeira dos últimos anos no Brasil. Com isso, os investigadores esperam chegar ao total de dinheiro enviado para fora do País, já que existe a suspeita de que foi por meio ilegal. A PF suspeita que nos últimos três anos, pelo menos R$ 1,4 bilhão tenha sido remetido pela Parmalat do Brasil para o exterior.Além disso, investigadores vão verificar, por meio da quebra de sigilo bancário e fiscal, como foram enviados recursos da filial brasileira para a matriz na Itália, cujo montante seria em torno de R$ 198 milhões.Autoridades italianas descartaram a possibilidade de ajudar financeiramente à filial brasileira da Parmalat. "A hipótese de ajuda à unidade brasileira está descartada. Os esforços do governo italiano estão voltados para resolver a crise da empresa na Itália", afirmou o deputado Assis Miguel do Couto (PT-PR). Ele é o relator da comissão especial da Câmara dos Deputados que avalia a crise e esteve, na semana passada, com autoridades italianas.A expectativa do parlamentar paranaense é apresentar um relatório preliminar com sugestões aos membros da comissão ainda nesta semana, no qual defenderá a necessidade da criação de um novo modelo para produção de produtos lácteos, com ênfase nas pequenas cooperativas.Paralisação dos transportadoresOs transportadores que prestam serviço à Parmalat em Carazinho (RS) afirmam que só têm fôlego financeiro para manter a atividade por mais esta semana e depois terão que suspender o atendimento da empresa se os pagamentos não forem normalizados. De acordo com o sócio gerente da Scapini Transporte e Comércio, Valmor Scapini, o último pagamento da companhia foi feito no dia 26 de dezembro.Transportadores, cooperativas, representantes do Sindicato das Indústrias de Leite do Estado e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) tiveram uma audiência no final da tarde com o governador gaúcho, Germano Rigotto (PMDB). O governo estuda a criação de uma Medida Provisória para garantir o ressarcimento de investidores que fornecerem crédito à Parmalat, em caso de falência.A MP é alvo de polêmica no setor produtivo. A Fetag defende uma solução por meio das cooperativas, que assumiriam a operação ou substituiriam a atividade da empresa, recebendo o produto que iria para a multinacional.O secretário da Agricultura do Estado, Odacir Klein, disse que o governo irá apoiar a hipótese da MP, sem abandonar outras alternativas que possam garantir a continuidade da operação.

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