Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

PF prende 17 em operação contra fraudes na Receita Federal

Quadrilha recebia ajuda de dois auditores fiscais e agia no comércio exterior

Marcelo Auler, RIO, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

A Procuradoria da República e a Polícia Federal do Espírito Santo (ES) desmontaram ontem uma quadrilha que agia no comércio exterior com a ajuda dos irmãos João Luiz e José Augusto Fregonazzi. Os dois são auditores fiscais da Receita Federal. João Luiz ocupou, entre 1996 e 2007, o cargo de inspetor da alfândega de Vitória. Na operação, foram efetivadas 17 das 18 prisões decretadas e cumpridos 40 mandados de busca e apreensão em Vitória, diversos municípios capixabas e na cidade de São Paulo. As investigações que resultaram na Operação Duty Free levaram dois anos. Ontem, 130 agentes federais do Espírito Santo, além de 70 do Rio de Janeiro e de São Paulo, atuaram nas prisões e nas buscas. Entre os presos está o advogado Odilon Borges Júnior, presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) no governo de Max Mauro (PDT), entre 1986 e 1990. Segundo as informações da Procuradoria da República, ele fazia o lobby para as empresas ligadas ao esquema e intermediava empréstimos do banco que presidiu.Em um caso de financiamento do Bandes, a polícia suspeita que "o dinheiro que deveria ser empregado em uma situação específica foi utilizado para outros fins, possivelmente pessoais, e a justificativa foi feita com notas frias", como explicou, na entrevista ontem em Vitória, o delegado federal Eugênio Ricas, que comandou a operação.Os dois irmãos auditores, ainda conforme as investigações, criaram cinco empresas em nome de laranjas. Uma delas era a A.V. Trading que eles usavam como intermediária para as importações feitas por empresas que, legalmente, não podiam operar no comércio exterior.Os irmãos, mesmo sendo servidores públicos, prestavam consultoria tributária e fiscal para empresas como a Target Importação, Exportação e Representações Ltda., com sede em São Paulo e filial em Vitória.Administrada por André Iase, que foi preso ontem, a Target remunerava os serviços de consultoria contratando outra empresa dos dois auditores, a Transportadora Transnova, com sede no município de Alfredo Chaves (ES). Metade das ações da transportadora pertencente aos irmãos auditores e está em nome de terceiros. A outra metade é de Fábio Novais, que ontem também foi preso por ter vendido as ações aos Fregonazzis, com o uso de laranjas.Embora a investigação fosse em torno dos irmãos auditores e de empresas de comércio exterior, a polícia e os procuradores esbarraram em um esquema de combinação de preços entre empresas para uma licitação, pela qual a prefeitura de Anchieta, no litoral sul capixaba, contrataria uma consultoria jurídica. "Tudo indica que a licitação foi fraudada. Um esquema foi feito entre os responsáveis pelas três empresas que, de antemão, estabeleceram a vencedora", afirmou o delegado.Os presos - foram 12 mandados de prisão preventiva e 6 de prisão temporária por cinco dias - responderão pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica na constituição de empresas (ou utilização de laranjas), lavagem de dinheiro, interposição fraudulenta, corrupção, tráfico de influência, descaminho e contrabando.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.