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PF prende 17 pessoas por fraude de R$ 11 milhões ao INSS

Quadrilha em Curitiba emitia atestados médicos para as pessoas solicitarem benefícios de forma irregular

AE,

26 de agosto de 2009 | 15h56

A Polícia Federal desarticulou nesta última terça-feira, 26, em Curitiba, uma quadrilha que, desde 2001, deu prejuízos de pelo menos R$ 11 milhões à Previdência Social. Dezessete pessoas foram presas, entre elas dois médicos psiquiatras. Outras duas pessoas ainda eram procuradas durante a tarde desta quarta-feira, 26.

 

A quadrilha era chefiada por uma mulher, que contava com a ajuda de seis familiares nas fraudes. Outros dez familiares, que tiveram mandados de prisão expedidos pela 1ª Vara Criminal de Curitiba, recebem ou receberam benefícios de forma fraudulenta. Indiciados por estelionato e formação de quadrilha, eles não tiveram os nomes divulgados.

 

Segundo o chefe da Delegacia de Crimes Previdenciários do Paraná, Marcos Eduardo Cabello, as investigações tiveram início há cerca de dois anos, quando dois fatos chamaram a atenção: a existência de um único endereço para vários pedidos de benefícios e o grande número de atestados fornecidos pelos dois médicos presos. Em muitos deles, os profissionais atestavam doenças registradas como raras em adultos pela literatura mundial, como a esquizofrenia.

 

As investigações levaram a um escritório informal de assessoria previdenciária no Bairro Santa Felicidade. Ali, os sete familiares que estavam na cabeça do esquema e também tinham conseguido benefícios irregulares recebiam pessoas interessadas nas facilidades oferecidas. Segundo a polícia, os laudos fornecidos pelos dois médicos induziam ao erro os peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além disso, os pretensos doentes eram orientados sobre como se comportar nas perícias médicas de forma a confirmar os laudos de doença mental.

 

Os beneficiados acertavam o pagamento aos idealizadores da fraude. A polícia acredita que o golpe pode ter retirado da Previdência muito mais que os R$ 11 milhões já confirmados. O número exato será levantado a partir dos documentos apreendidos. Segundo a coordenadora operacional da Assessoria de Pesquisa Estratégica do Ministério da Previdência Social, Neusa Peixoto Campos, cerca de mil benefícios serão encaminhados para revisão. Muitos deles têm a assinatura dos médicos presos. Os que já tiveram comprovação estão suspensos pela Justiça, que também determinou o sequestro de veículos e o arresto de um imóvel da quadrilha.

 

A coordenadora disse ainda que esta foi a 25ª operação realizada este ano no País, para reprimir fraudes no órgão. Até agora, é a que envolve a maior soma de dinheiro. Nas 24 ocorrências anteriores, desenvolvidas em 14 Estados e no Distrito Federal, foram levantados R$ 45 milhões de prejuízo. Segundo ela, somente no ano passado foram descobertas fraudes no valor de R$ 200 milhões. Parte desses valores já foi restituída.

 

O delegado revelou que os psiquiatras também forneciam laudos para que as pessoas entrassem com ação judicial pleiteando benefícios do INSS. Segundo ele, as investigações continuam, mas até agora não foi verificada participação de qualquer servidor público.

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