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PF prende 19 em operação contra evasão via bancos suíços

Esquema, que contava com participação de funcionários do UBS, pode ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão

Anne Warth, da Agência Estado,

06 de novembro de 2007 | 17h19

A Polícia Federal prendeu 19 pessoas nesta terça-feira, 6, durante a Operação Kaspar II, desencadeada nesta manhã em três Estados do País. A ação tem o objetivo de desarticular esquema organizado por instituições financeiras suíças dedicado à prática de crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O grupo é suspeito de ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão.   Dos 21 mandados de prisão, 19 foram cumpridos e duas pessoas ainda estão foragidas. A polícia não informou os nomes dos executivos presos, alegando segredo de Justiça. Na lista, estariam funcionários das instituições financeiras envolvidas no esquema ( banco UBS, do banco AIG, e do Clariden Leu), seis doleiros e os outros dez clientes que se beneficiavam da fraude.   Além disso, também foram colocadas em prática 40 ordens de busca e apreensão. Nas operações, foram apreendidos R$ 6 milhões em espécie e entre US$ 600 mil e US$ 700 mil. Também foram bloqueados R$ 2 milhões em contas.     De acordo com o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Jaber Saadi, o esquema desmontado pela Operação Kaspar II pode ser considerado um refinamento das fraudes descobertas pela Operação Suíça, deflagrada em 2003, e Kaspar I, ocorrida em abril deste ano e que envolveu o Credit Suisse. Segundo o superintendente, os presos são gerentes das instituições financeiras na Suíça e vinham ao Brasil trimestralmente para visitar clientes.     A fraude funcionava da seguinte forma: em vez de fazer a remessa diretamente ao exterior, o cliente fazia um depósito em uma conta de um doleiro no Brasil. O doleiro, por sua vez, movimentava, por outra conta, localizada no exterior, uma quantia com o mesmo valor diretamente para a instituição financeira, numa espécie de triangulação chamada de operação dólar-cabo. "Não conseguimos obter apoio da Suíça na quebra do sigilo dessas contas porque a evasão de divisas não é crime naquele país. Inclusive, as autoridades têm dificultado o nosso trabalho", disse o delegado, Ricardo Saadi, chefe da Operação Kaspar II.     De acordo com o delegado, as contas no exterior eram utilizadas para realização de compras de mercadorias subfaturadas nos Estados Unidos e na China. Mensalmente, a polícia estima que a quadrilha movimentava entre R$ 6 e R$ 7 milhões.     Na avaliação do delegado, os funcionários dos bancos atuam com a conivência e o conhecimento das instituições no exterior. "Os bancos sabem que a remessa de divisas sem o conhecimento do Banco Central é proibida no Brasil, e acredito que estimulam esse tipo de operação", opinou.

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