PF prende 24 por fraude e operações ilegais de câmbio

Entre os presos estão dois funcionários da Agrenco e o delegado da cidade de Itajaí, em Santa Catarina

Elvis Pereira, do estadao.com.br, e Tatiana Freitas, da Agência Estado,

20 de junho de 2008 | 12h11

A Polícia Federal (PF) prendeu 24 pessoas nesta sexta-feira, 20, em uma operação intitulada de Influenza, entre eles dois funcionários da Agrenco, um auditor da Receita Federal, um policial federal aposentado e o delegado do município de Itajaí, Jackson Aluir Corbari. Entre as acusações que pesam sobre os envolvidos no esquema, o superintendente da PF citou os crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, falsidade ideológica, remessa ilegal de dinheiro ao exterior e corrupção ativa e passiva. Segundo informações do superintendente da Polícia Federal (PF) em Santa Catarina, Marcos Moura, Antonio Augusto Pires Junior e Antonio Iafelice, da Agrenco, foram presos sob a acusação de terem maquiado balanços financeiros da companhia, a fim de esconder desvios de recursos em benefício próprio. De acordo com a página da Agrenco na internet, Iafelice é diretor-presidente da empresa, e Pires Junior é diretor de operações.  Moura informou ainda que uma operação de busca está sendo feita nesta tarde na sede da Agrenco, em São Paulo, para apreensão de documentos. A Agrenco, que atua como trading, opera no porto de Itajaí. A Agrenco Ltd. é uma companhia de serviços integrados que atua nos setores de agronegócio e biocombustível em âmbito mundial. Está presente em toda a cadeia de valor do agronegócio: compra da produção e prestação de assistência técnica e financeira a produtores (originação), armazenamento e transporte de produtos agrícolas (logística) e venda e distribuição destes produtos a consumidores finais em todo o mundo (distribuição). A Operação Influenza foi deflagrada para desvendar uma organização criminosa que internava divisas, efetuava operações cambiais ilegais e movimentações por meio de "laranjas", ocultava bens e rendas e simulava operações com o uso de documentos falsos e fraudes em licitações. O grupo possuiria ramificações nas cidades catarinenses de Itajaí, Balneário Camboriú, Blumenau, São Francisco do Sul, Florianópolis e nos Estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. No exterior, eles atuariam em países como Argentina, Holanda, Reino Unido, Malta, Itália, Noruega, Bermudas, França, Cingapura. Serão cumpridos também 45 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e 9 em São Paulo. A operação é realizada por 252 agentes da PF e 33 auditores da Receita. A Agrenco deve se manifestar sobre a operação por meio de sua assessoria de imprensa até o final do dia. Após a notícia, a Bovespa suspendeu os negócios com os BDRs da Agrenco, no aguardo de esclarecimentos. Até a suspensão, os BDRs despencavam 46,81%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.