PF prende 40 ligados a esquema de fraudes em importações

Governo pede ajuda dos EUA para prender executivos brasileiros que articulam o esquema no exterior

Adriana Fernandes, Agencia Estado

16 de outubro de 2007 | 17h10

O governo divulgou nesta terça-feira, 16, balanço parcial da Operação Persona, que deflagrou um esquema de fraudes em comércio exterior montado em São Paulo, com ramificações no Rio de Janeiro e Bahia. Comandado pela multinacional americana Cisco System e sua subsidiária no Brasil, o esquema teria causado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em sonegação de impostos em cinco anos.     Foram cumpridos 93 mandados de busca e apreensão e presas 40 pessoas, incluindo o atual presidente da Cisco do Brasil, Pedro Rípero, o ex-presidente Carlos Roberto Carnevali e dois outros dirigentes da empresa. Outras quatro pessoas ainda estão sendo procuradas. Mais de 30 empresas estão envolvidas no esquema. Também foram presos seis auditores fiscais da Receita Federal.    Além das prisões em território nacional, o governo pediu a colaboração das autoridades policiais norte-americanas para prender nos Estados Unidos cinco envolvidos no esquema.  Segundo a delegada da Polícia Federal, Érika Tatiana Nogueira, esses cinco envolvidos são empresários brasileiros que articulam o esquema nos Estados Unidos. O pedido de prisão dos empresários já foi feito à polícia dos Estados Unidos. A Polícia Federal não divulgou o nome dos envolvidos, alegando que o processo de investigação corre em sigilo.   Veja também:    PF realiza operação contra sonegação em SP, RJ e BA  Polícia Federal esteve em escritório da Cisco Systems   Ex-dirigente da multinacional na Alemanha, considerado um gênio no mundo dos negócios, Rípero, de apenas 28 anos, foi preso em sua casa em São Paulo, nas primeiras horas da manhã, sem resistência. A Polícia pretende pedir a transformação da sua prisão temporária (de cinco dias) em preventiva (por tempo indeterminado). Também foi preso o empresário Moacir Álvaro Sampaio, sócio presidente da importadora Mude.   Empresa brasileira com filial nos EUA, a Mude intermediava as importações dos produtos da Cisco, mediante maquiagem na documentação para camuflar as fraudes, segundo a polícia. Entre os demais presos estão seis auditores fiscais da Receita, que atuavam na legalização das importações fraudulentas em favor da quadrilha, além de dirigentes e sócios de empresas off-shore envolvidas no esquema.   A matriz da empresa multinacional americana envolvida no caso também será investigada pelas autoridades americanas. "Pedimos a colaboração dos Estados Unidos. É inevitável não chegar na matriz", disse a delegada. Segundo ela, mais de 30 empresas no Brasil e nos Estados Unidos estão envolvidas no esquema desarticulado nesta terça. O esquema usava uma série de empresas de fachada para subfaturar os preços dos produtos fabricados por essa multinacional importados para o Brasil.   No País, além das prisões, foram apreendidos US$ 290 mil em espécie, R$ 240 mil, US$ 10 milhões em mercadorias, um avião e 18 veículos nacionais e importados. A Polícia Federal não divulgou o nome dos envolvidos, alegando que o processo de investigação corre em segredo de sigilo.   O chefe da inteligência da Receita Federal, Gerson Schaan, informou que as investigações continuam. Segundo ele, os compradores finais dos produtos importados ilegalmente serão investigados. Por enquanto, disse ele, não é possível afirmar que os clientes conheciam o esquema. Schaan informou que os produtos entravam no Brasil com preço reduzido (subfaturados) em cerca de 50%. Os impostos que a empresa teria deixado de pagos e as multas somariam cerca de R$ 1,5 bilhão.   O esquema, segundo a PF e a Receita, teria sido montado por empresários brasileiros em conluio com a multinacional, líder mundial no segmento de serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas, para internet e telecomunicações.   A página da multinacional na Internet registra que a empresa já realizou vendas líquidas de US$ 34,9 bilhões este ano, com aumento de 23% em relação a 2006. A subsidiária brasileira foi uma das que mais contribuíram para performance mundial da empresa, que teve lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no último quadrimestre.   Outro lado   A assessoria da multinacional Cisco Systems afirma: "Estamos cientes da operação da PF. Não temos nada para declarar oficialmente ainda. As informações estão sendo checadas pela empresa, e não temos resposta nenhuma até o momento (se estão envolvidos ou não)."   Texto ampliado às 21h09

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.