PF prende outro suíço envolvido com evasão de divisas

Christian Weiss, do Credit Suisse, é o terceiro executivo do banco preso no País nos últimos dois anos

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal prenderam ontem mais um representante do banco Credit Suisse, acusado de remeter, sonegando impostos, grandes quantias de endinheirados brasileiros para contas numeradas na Suíça. Foi o terceiro executivo suíço do banco preso nos últimos dois anos, O esquema é usado pelo menos desde 1997, e em três anos provocou prejuízo estimado em mais de R$ 1 bilhão ao Fisco. O suíço Christian Peter Weiss foi preso ontem pela manhã em um hotel de luxo, em Ipanema, no Rio. Executivo de alto escalão do Credit na Suíça, foi monitorado desde sua chegada ao País, há cerca de 15 dias. Nesse período, encontrou-se com clientes no Rio, em São Paulo e no interior do Estado. Para enviar dinheiro ao banco ocultando as remessas, utilizaria bancos de países vizinhos, principalmente do Uruguai. Weiss viajaria hoje de volta à Suíça. "Essa nova prisão mostra que, apesar da atuação da PF, há reincidência do Credit Suisse, eles continuam a atuar ilegalmente no País. Vale ressaltar o desrespeito dessa instituição com as autoridades brasileiras", disse o delegado Ricardo Andrade Saadi, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da PF em São Paulo e responsável por outras quatro operações contra bancos suíços e doleiros. "Atuam como organização criminosa", definiu. Além de documentos comprovando as transações irregulares, sem registro no Banco Central e assinadas por Weiss e seus clientes brasileiros, a PF encontrou no lixo do quarto de hotel usado pelo suíço papéis picados escritos à mão com instruções de como proceder se fosse preso. Também carregava matérias sobre a prisão de executivos suíços em outras operações da PF. PRÁTICA REINCIDENTEPara a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, a conduta indica "a prática reincidente" do banco suíço e seus agentes enviados, "sendo o investigado, no mínimo, o nono ou décimo representante do Credit Suisse que, de forma destemida e já prevenido das ações policiais brasileiras, transita pelo País, munido de toda a estrutura documental e tecnológica necessária à consumação da referida prática delitiva".A investigação contou com escutas telefônicas e gravação de imagens e voz de todo o período que o suíço esteve no Brasil. Até microfones foram instalados nos quartos de hotel onde ele se hospedou, com autorização expedida pela Justiça Federal. A medida foi tomada para seguir todos seus passos e produzir provas. Ele tinha instruções expressas do alto comando do banco na Suíça de destruir toda documentação das transações assim que elas fossem concluídas - os papéis foram recuperados pela polícia. Todos os encontros de Weiss foram realizados nos hotéis, locais públicos ou escolhidos pelo cliente. Desde o dia 17 a PF tinha a ordem de prisão preventiva contra Weiss, cumprida ontem. O suíço será indiciado por evasão de divisas, funcionamento de instituição financeira sem autorização do BC e lavagem de dinheiro - as penas podem somar mais de 20 anos de prisão. Segundo o delegado, agora a PF, a Receita Federal e o BC vão fazer uma devassa nas "centenas de clientes brasileiros" que se valeram dos esquema. Eles podem ser indiciados pelos mesmos crimes. "Na Suíça sonegação fiscal e evasão de divisas não é crime, então fica garantido o sigilo desses correntistas. A suspeita é que a maioria usou essas contas para ocultar dinheiro produto de crime."Em comunicado oficial, o Credit Suisse afirmou "que sempre pontuou suas operações dentro dos mais rigorosos princípios legais e éticos" e "seu escritório de representação no Brasil atua de forma legal e de acordo com a legislação nacional".

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