PF revela como funcionava esquema da Schincariol

A Polícia Federal revelou como funcionava o esquema criminoso de sonegação que beneficiava empresas ligadas ao grupo Schincariol, desbaratado hoje pela Operação Cevada, em 12 Estados, com diversas prisões, inclusive de diretores da empresa. 1) As empresas distribuidoras "parceiras" utilizando liminares obtidas junto às Justiças estadual e federal propiciam o não recolhimento de ICMS e o IPI pelo Grupo;2) Normalmente as empresas "parceiras" são constituídas em nome de laranjas e/ou de fachada também utilizadas para a emissão de notas fiscais e simulação contábil;3) Uso de notas fiscais "viajadas" (mais de uma viagem com a mesma nota fiscal); 4) Vendas subfaturadas ou sem a emissão de notas fiscais, com recebimento "por fora". O subfaturamento é estimado em 20% a 30% das operações comerciais das indústrias;5) Utilização do artifício da triangulação de notas fiscais, (entrega em local diferente do indicado na nota fiscal). Nesse tipo de sonegação, a nota fiscal é emitida para um Estado que possui a alíquota do ICMS menor (exemplo: no ES a alíquota para as saídas de produtos das indústrias de SP e RJ, é de 7%. Quando a nota fiscal é emitida para outro Estado, por exemplo, para MG, a alíquota é de 12%);6) Corrupção ativa para obter facilidades de agentes públicos e aparentar legalidade das operações ao cruzar as fronteiras estaduais.Ainda segundo as investigações, o esquema foi aperfeiçoado após sucessivas autuações dos fiscos estaduais e federal contra o grupo, que a partir de determinada época começou a melhor maquiar e ocultar as práticas ilegais, assim utilizando os seus distribuidores para se eximir de responsabilidade.Os lucros obtidos pelo grupo com a prática de sonegação são remetidos regularmente dos distribuidores "parceiros" para a sede do grupo em Itu/SP. Somente um dos distribuidores investigados chegava a enviar cerca de R$ 1 milhão por mês.

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