Pfizer recomenda troca de aparelhos da BlackBerry

Empresa, que tem 92 mil funcionários, afirmou em memorando interno temer a falência da fabricante de smartphones canadense

DREW ARMSTRONG , BLOOMBERG NEWS / NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2013 | 02h08

A Pfizer, maior companhia farmacêutica do mundo, pretende se desfazer dos telefones da marca BlackBerry por temer que a companhia possa ir à falência ou interromper seus serviços. Em memorando interno, a Pfizer orientou seus empregados que usam aparelhos da marca a comprar um telefone da Apple ou algum modelo que rode o sistema operacional Android, do Google.

Ao dar a orientação, a farmacêutica citou a queda na participação de mercado da BlackBerry, empresa baseada em Waterloo, no Canadá, e observou que a companhia chegou a se oferecer para venda. "Em função da queda nas vendas, a empresa está numa situação volátil", disse a Pfizer, a partir da sua sede em Nova York, a empregados, num memorando obtido pela Bloomberg News. "Recomendamos que os usuários dos telefones BlackBerry usem seus aparelhos e planejem migrar para um novo modelo quando expirar o contrato normal."

Após anos perdendo clientes para o iPhone, da Apple, e aparelhos que rodam o sistema Android, a BlackBerry está encontrando dificuldades para evitar a perda de usuários.

Segundo dados da consultoria britânica Juniper, a empresa teria vendido 3,7 milhões de smartphones no terceiro trimestre, obtendo receita de menos de US$ 1,6 bilhão. No mesmo período, em 2010, a BlackBerry comercializou 12 milhões de aparelhos, com faturamento de US$ 4,6 bilhões.

O novo sistema operacional BlackBerry 10, pensado para iniciar uma retomada da companhia no mercado, recebeu uma resposta morna dos consumidores, e a empresa teve de dar baixa de quase US$ 1 bilhão em estoques não vendidos no último trimestre.

A Pfizer tinha 92 mil empregados na sua última prestação de contas anual às autoridades, o que faz dela a oitava maior empregadora entre companhias farmacêuticas baseadas nos Estados Unidos e na Europa ocidental, segundo dados compilados pela Bloomberg. O efeito da recomendação da empresa aos seus funcionários, portanto, deve ser sentido pela a marca de smartphones.

Planos de contingência foram desenvolvidos para o caso de a BlackBerry fechar ou não conseguir prover serviços, diz a Pfizer no memorando. "Nós nunca fomos à mídia nem falamos sobre nossos provedores de serviços", disse Joan Campion, porta-voz da Pfizer.

Fracasso. Uma oferta feita em setembro para a aquisição da BlackBerry por US$ 4,7 bilhões foi retirada este mês, provocando um abalo na empresa. Em vez de adquirir a companhia e fechar seu capital, a Fairfax, maior acionista da BlackBerry, e um grupo de investidores aportaram US$ 1 bilhão em títulos para ajudar a recompor o caixa da empresa.

Com a mudança, o ex-presidente da Sybase, John Chen, considerado o responsável por recuperar a empresa de softwares corporativos, foi escolhido para comandar a companhia no lugar de Thorsten Heins.

Em um post num blog da empresa em 13 de novembro, Chen tentou tranquilizar clientes de que a BlackBerry não vai desaparecer. "A BlackBerry tem força financeira para o longo prazo", disse. "Estou confiante de que reconstruiremos a BlackBerry para o benefício de todas as partes interessadas." / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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